Brasília – O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, disse que a identificação das causas do surgimento de foco de febre aftosa em rebanhos do município de Eldorado (MS) tem que ser baseada em procedimentos técnicos. "Vamos acabar com os ?achismos?, vamos ter clareza nos processos técnicos".

Segundo o ministro, não se trata de encontrar culpados, mas as causas do aparecimento da doença. "Por que surgiu o foco? A vacinação foi feita? Se foi feita é uma resposta, se não foi feita, é outra resposta. A vacina foi manejada adequadamente? Se foi, o que interferiu no processo? Enfim, essas perguntas técnicas têm que ser claramente respondidas para que tenha também a clareza dos procedimentos adicionais a serem tomados pelo governo brasileiro, pelos governos estaduais e pelo setor privado", disse Rodrigues. Mas o ministro acrescentou que, se for constado erro, os responsáveis serão punidos.

Sobre a suspensão, parcial ou integral, de importação de carne brasileira, comunicada oficialmente ao governo brasileiro por 28 países (os 25 da União Européia, além de África do Sul, Israel e Rússia), Roberto Rodrigues disse que a idéia é agilizar os processos para que os embargos durem o menor tempo possível. "Todos esses temas serão tratados durante uma reunião amanhã, com as nossas áreas técnicas e áreas técnicas de governos estaduais".

Roberto Rodrigues voltou a dizer que a febre aftosa não traz riscos à saúde humana. "É uma doença que afeta animais e, portanto, o drama que ela causa é de caráter econômico e não de caráter sanitário para a população", disse. Segundo o ministro, os países suspenderam a importação porque "têm medo que importando uma carne contaminada com aftosa tramitem a aftosa para esses outros países". "Por isso há o embargo, não é por causa da questão de saúde pública, é por causa da saúde animal", reforçou.

O foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, declarado área livre da doença em 2001, foi confirmado no início da semana pelo Laboratório Nacional Agropecuário. O ministro Roberto Rodrigues disse que o fato de determinado país ou região ser declarado livre de uma doença não significa que não possam surgir novos casos. "Acontece, na Inglaterra teve aftosa, a vaca louca apareceu na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá e não apareceu aqui, a gripe aviária apareceu na Ásia e não apareceu aqui ainda. Então o país livre, pelo fato de ser livre, está sujeito a ter a moléstia também".

Segundo o ministro, foram tomadas todas as medidas para conter o avanço da febre aftosa e garantir a "sobrevivência econômica e profissional" dos produtores do Mato Grosso do Sul. "É o produtor brasileiro que fez o progresso nacional avançar e alavancou a economia brasileira, então eles têm que ser agora compreendidos e defendidos, com uma clara visão: onde houver erro e responsabilidade, haverá também punição".