Rio (AE) – O Tribunal de Contas da União (TCU)condenou ex-diretores do IRB-Brasil Re e representantes da seguradora Aliança da Bahia e da Companhia de Tecidos Guaratinguetá a devolverem aos cofres do instituto R$ 14,948 milhões pagos, irregularmente, à empresa têxtil. De acordo com a investigação dos auditores do TCU, a direção do IRB-Brasil autorizou o pagamento de indenização de sinistro para uma apólice de seguro que só foi contratada nove meses depois de ocorrido o acidente. "O sinistro ocorreu em 05/12/03 e a apólice foi emitida em 29/09/04. Cabe ressaltar que a participação do IRB no risco era de 98,78% e da seguradora, de apenas 1,22%", diz o relatório dos auditores.

Foram apontados como responsáveis pela irregularidade o então presidente do IRB, Lídio Duarte, e quatro diretores, todos afastados: Carlos Murilo Goulart Barbosa Lima, Manoel Moraes de Araújo, Luiz Eduardo Pereira de Lucena, Luiz Apolônio Neto e Alberto de Almeida Pais. O gerente de Sinistros, Juan Campos Dominguez Lorenzo, que também foi multado, disse que não foi, diretamente, pressionado pelos diretores a autorizar a contratação, mas "se sentiu incomodado" quando foi chamado ao gabinete de Lima, em setembro de 2004, para uma conversa que teve a participação de Apolônio Neto sobre o acidente na Guaratinguetá, ao fim da qual lhe foi apresentado o documento para assinatura.

A atual direção do IRB, que depois da destituição de toda a diretoria, há três meses, passou a ser presidida pelo ex-secretário de Política Econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Marcos Lisboa, confirmou hoje a irregularidade, que havia sido constatada em sindicância interna constituída em maio. "O relatório com a conclusão dos trabalhos foi enviado em junho aos órgãos competentes, Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE), Polícia Federal (PF), TCU e CGU (Controladoria-Geral da União), que estão averiguando os fatos apontados e indicando as medidas cabíveis a serem tomadas", disse a direção, em nota oficial divulgada hoje.