O Brasil não é mais o campeão mundial dos juros altos. Perdeu a primeira posição para a Turquia, após o último corte de 0,5 ponto percentual da taxa Selic, autorizado pelo Conselho Nacional de Política Monetária (Copom).

Descontada a inflação projetada para o próximo período de doze meses, a taxa de juro real ficará em torno de 7,5% ao ano. O novo campeão do arrocho pratica juros anuais de 8,5%, apenas um ponto acima da até então inexpugnável casamata brasileira.

Nos Estados Unidos e na União Européia, a média dos juros anuais cobrados pelas instituições financeiras não passa de 2%.

A persistência do Brasil em propiciar a cobrança de juros elevados fez com que a economia vivesse uma fase de vinte anos de estagnação. Em comparação com as economias emergentes, incluindo co-irmãos latino-americanos como México, Chile e Argentina, sem falar de China, Rússia, Índia e África do Sul, o Brasil apresentou índices paupérrimos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Em traçado paralelo a essa ruinosa política, as últimas duas décadas foram marcadas pela retração dos índices de consumo interno, principal termômetro da condição econômica da maioria, atraso nos ganhos tecnológicos, pesada burocracia estatal e instabilidade dos marcos regulatórios.

Pela enésima vez percutem os tambores: sem reformas profundas na economia, na política e no arcabouço social, nenhum passo mensurável será possível.