O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, negou hoje (6) que o governo tenha qualquer relação com os fatos que levaram o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim a renunciar disputa pela presidência do PMDB. Segundo o ministro, o governo não têm preferência por Jobim ou Michel Temer, atual presidente do PMDB e candidato reeleição. "O governo não tem interferência na sucessão do PMDB, não tem preferência. Todos sabem da posição de simpatia e de acolhimento que o presidente sempre teve em relação ao ex-ministro Nelson Jobim e também tem uma relação correta politicamente com a direção nacional do PMDB representada pelo Temer", afirmou Tarso a jornalistas, no Palácio do Planalto.

O ministro completou: "Nosso desejo e o desejo do presidente é que o PMDB saia unificado e participe de forma unificada do governo". Na nota em que anuncia a renúncia, hoje pela manhã, Jobim afirma que "os acontecimentos das últimas horas enunciam a opção objetiva do governo quanto disputa no PMDB. Diante disso, resta-me afastar-me em definitivo da contenda".Tarso foi questionado pelos jornalistas se os últimos acontecimentos mencionados por Jobim seriam a reunião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá hoje com Michel Temer e o encontro de ontem com o governador da Bahia, Jaques Wagner ,e o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), bem como o possível convite que teria sido feito ao deputado para que ocupasse o ministério da Integração Nacional. "Nesta reunião não foi feito nenhum convite formal e nenhuma menção a convenção do PMDB", afirmou, em resposta, o ministro. De acordo com Tarso, na conversa com Geddel, Lula apenas reafirmou que a bancada do PMDB na Câmara terá um ministério. "O deputado Geddel recebeu muito bem essa informação, ele é um dos indicados, o que inclusive ainda não foi feito de maneira formal", disse ele. O ministro afirmou ainda que "não está descartada" a possibilidade de que bancada peemedebista na Câmara indique mais um ministro.

Tarso Genro disse ter conversado com Nelson Jobim após a renúncia candidatura. "Não há uma imputação, pelo menos feita pessoalmente, do Jobim para mim, de qualquer intervenção do governo nesse processo". Segundo Tarso Genro, "90% da reforma ministerial está pronta na cabeça do presidente" e ela deve ser anunciada já na próxima semana. "Ontem o presidente comunicou ao Geddel que, na avaliação dele, seria melhor que anunciasse a reforma na semana que vem, até para não parecer que estava fazendo qualquer intervenção no interior do PMDB", disse o ministro, referindo-se convenção para escolher o presidente do partido marcada para o dia 11 deste mês.