A Associação Brasileira de Supermercado (Abras) revisou para 1 5% a projeção de alta das vendas reais neste ano. A previsão anterior, divulgada em janeiro, era de incremento de 2,5%. O presidente da entidade, João Carlos de Oliveira, afirmou que, apesar de a revisão para baixo, a estimativa é "muito boa", pois reverterá a queda de 2,74% nas vendas reais do primeiro semestre. Pelos cálculos do executivo, o faturamento real do setor deve crescer pouco mais de 4% nos seis últimos meses do ano para compensar o recuo do primeiro semestre.

No ano passado, o faturamento real do setor foi de 0,66%, enquanto o volume físico de vendas teve alta de 5,1%. Essa diferença explica-se basicamente pela queda nos preços dos produtos vendidos. Pelos cálculos da Abras, tendo como base os quatro primeiros meses deste ano, a diferença entre o volume de vendas físicas e o faturamento está na casa dos 3 pontos percentuais, o que comprova novamente o impacto da queda dos preços no faturamento.

Segundo o presidente da Abras, as vendas físicas não estão ruins mas os preços dos produtos caíram em média 4% no primeiro semestre. "A queda nos preços beneficia duplamente o consumidor que aproveita os preços mais baixos para economizar e pagar dívidas antigas", disse Oliveira. Mas, ressaltou: "Esse descompasso entre preços e faturamento prejudica o supermercadista, que vê queda na rentabilidade.

No primeiro semestre, os produtos que apresentaram maiores quedas nos preços foram: tomate (44%), batata (33%), frango congelado (21%), pernil (13%), leite em pó integral (11%), carne traseiro e queijo prato (8%), e óleo de soja (6%). O Índice Nacional de Vendas da Abras é resultado de pesquisa em mais de 600 lojas, em 19 capitais, com 35 produtos. No ano passado, os supermercados brasileiros venderam o equivalente a R$108 bilhões.