Os dados bancários sobre o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) que estão com a Justiça da Ilha de Jersey podem ajudar a Suíça a também indiciá-lo por lavagem de dinheiro. Ontem (19), a Corte de Jersey rejeitou um recurso dos advogados de Maluf, que pretendiam dificultar o envio das informações bancárias dele ao Brasil
Para os suíços, caso esses documentos sejam revelados, o processo por lavagem de dinheiro que existe contra Maluf em Genebra poderá deslanchar. Na Suíça, a Justiça abriu uma investigação contra o ex-prefeito de São Paulo e ainda bloqueou cerca de US$ 4 milhões que estão em nome do filho mais velho dele, Flávio Maluf, num banco em Lausanne. A nova documentação, portanto, poderia revelar a informação que falta para que os suíços peçam o indiciamento de Maluf. Na decisão da Corte da Jersey, fica claro que a Procuradoria-Geral conta com informações sobre eventuais crimes envolvendo o ex-prefeito que, segundo o tribunal, nem mesmo a Justiça brasileira conheceria
A Suíça teria sido o primeiro destino dos recursos de Maluf, que, no fim dos anos 90, foi pressionado pelos bancos locais a revelar a origem. Segundo o UBS, uma das maiores entidades financeiras da Europa, Maluf optou por transferir grande parte do dinheiro para Jersey, um paraíso fiscal que na época ainda assegurava maior sigilo sobre as contas bancárias que os demais centros financeiros da Europa. O Judiciário suíço confirma a informação de que grande parte dos recursos deixou o país em direção ao outro paraíso fiscal
O procurador-geral de Genebra, Daniel Zapelli, informou que, caso os documentos sejam enviados ao Brasil, espera que a Justiça brasileira compartilhe os dados com os suíços. "Acompanhamos a prisão de Paulo Maluf no Brasil e estamos trabalhando em cooperação nesse caso. Queremos continuar nesse ritmo", disse. Zapelli afirmou que o processo contra Maluf na Suíça continuará aberto.


