Brasília – Ao avaliar a segunda parte do relatório Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC, sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas (ONU), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que a posição do governo brasileiro é de preocupação. Ela ressaltou que os países em desenvolvimento, contudo, não podem ser transformados em "bode expiatório de uma questão grave e dramática?.

Para Marina Silva, é preciso que os países desenvolvidos assumam uma responsabilidade no que diz respeito ao problema gerado pelas mudanças climáticas. ?Nós temos que dar nossa parcela de contribuição, mas tendo a clareza de que os países ricos precisam fazer muito mais do que estão fazendo?.

Um dos riscos apontados na segunda parte do IPCC é que o aumento da temperatura do planeta associado à redução da disponibilidade de água poderá transformar a Amazônia em savanas (vegetação composta por gramíneas, árvores esparsas e arbustos, semelhante ao cerrado) até a metade do século.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, a ministra Marina Silva ressaltou que o combate aos efeitos das mudanças climáticas requer um esforço global e não apenas local, nacional ou regional. ?Mesmo que os países em desenvolvimento façam 100% do seu dever de casa, reduzindo 20% de suas emissões [de gases poluentes causadores do efeito estufa], se os países ricos – que são responsáveis por 80% dessas emissões – não fizerem as suas metas, mesmo assim nós seremos drasticamente afetados?, alertou a ministra, sem se referir a nenhum país especificamente.

Pelo Protocolo de Quioto, as nações industrializados que ratificaram o documento devem reduzir, até 2012, suas emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 5% abaixo dos níveis de 1990. Já os países em desenvolvimento não têm metas obrigatórias para redução de suas emissões. Entre os países que não ratificaram o protocolo estão os Estados Unidos e a Austrália.

Segundo a ministra Marina Silva, o governo brasileiro adotou ?uma postura proativa? para que cenários traçados no relatório não se transformem em realidade. Ela destacou a importância do Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, que está sendo elaborado pelos Ministérios do Meio Ambiente, das Relações Exteriores e da Ciência e Tecnologia.