Investigado pela Operação Hurricane (Furacão), o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não tem recebido a solidariedade dos colegas e teve ontem um sinal do seu isolamento na Corte. O tribunal divulgou nota oficial defendendo três ministros citados em uma pequena reportagem do jornal Correio Braziliense, mas não dispensou uma linha sequer a Medina que apareceu citado em texto de página inteira do mesmo jornal, na abertura do noticiário da edição de ontem.

A nota do STJ diz que as suspeitas levantadas pelas investigações da Polícia Federal, em virtude de citações em grampos telefônicos, sobre a atuação dos ministros Luiz Fux, Carlos Alberto Direito, Castro Filho e Humberto Gomes de Barros, ?não correspondem à realidade?. A nota é claramente direcionada à reportagem em que Medina não foi citado.

O episódio reflete o clima de tensão que tomou conta da Corte desde que surgiram as primeiras notícias sobre a Hurricane. A investigação faz o STJ reviver episódio de 2003, quando o tribunal abriu sindicância para apurar suspeitas de envolvimento do então ministro Vicente Leal com venda de sentenças – o ministro foi afastado. Ao final da sindicância, em 2004, ele pediu aposentadoria.

O advogado de Medina, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirmou que há solidariedade do tribunal. ?A decisão de se afastar, se está em pauta, ele não me disse.? Castro confirmou que Medina tem problemas de saúde e em 2006 se ausentou do tribunal para tratamento médico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo