O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu hoje institucionalmente às críticas que têm recebido por suspender decisões de CPIs sob o argumento de que elas não são devidamente fundamentadas. Sobraram críticas para o Congresso e para a Caixa Econômica Federal (CEF). Esta última por causa das suspeitas de quebra irregular de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

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"Há uma cultura de violação grave muitas vezes a serviço de forças políticas. Há uma prática de violação grave no vazamento de informações vindas da quebra de sigilo. Luta política que vai à selvageria", afirmou o ministro do STF Gilmar Mendes. "Agora, a parte de todos esses abusos cometidos por CPIs verificamos que há uma quebra de sigilo à brasileira", disse o ministro, numa referência ao episódio envolvendo o caseiro. Ele disse que os abusos se tornaram uma "praga".

Na mais recente das decisões contrárias a CPI, o ministro Cezar Peluso impediu o depoimento de Costa, que trabalhava numa mansão que, segundo ele, era freqüentada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e por integrantes da chamada "República de Ribeirão Preto".

O presidente do STF, Nelson Jobim, observou que desde 1991 o tribunal tem o entendimento de que as decisões da CPI precisam ser fundamentadas e indagou se elas não teriam objetivos eleitoreiros. "Creio que isso preocupa o tribunal e preocupa a todos nós para que não se possa dizer, ao fim e ao cabo, que eventuais resultados ou não resultados das atividades investigatórias desta comissão possam ser atribuídos ao tribunal", afirmou Jobim. Ele disse que é necessário que os instrumentos de investigação das CPIs "não se transformem em instrumentos para fins eleitorais".

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"Estamos vivendo uma quadra extremamente delicada em termos de direitos fundamentais", afirmou Gilmar Mendes, que defendeu a aprovação de uma lei para disciplinar a atividade das CPIs. O ministro Cezar Peluso sugeriu que o tribunal edite uma súmula sobre o assunto deixando expresso o entendimento de que atos de CPIs sem a devida fundamentação não podem ser mantidos.

O debate entre os ministros do STF sobre CPIs ocorreu durante o julgamento de um mandado de segurança movido pela Alexander Forbes Brasil Corretora de Seguros Ltda. contra a CPI dos Correios. O plenário do Supremo confirmou uma liminar concedida em novembro pelo ministro Celso de Mello suspendendo a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa decretada pela CPI.

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