Sinal afirmativo do rompimento do estado inercial da economia foi dado a conhecer no balanço semestral de atividades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição autorizou a liberação de recursos da ordem de R$ 24,6 bilhões para financiar inúmeros projetos. No mesmo período do ano passado, o banco emprestou um montante 35,3% inferior.
O presidente do BNDES, economista Luciano Coutinho, acredita que os números indicam o começo de um ciclo progressivo de investimentos, levando o País a ingressar numa fase sustentável de desenvolvimento industrial, meta claramente estabelecida na administração anterior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que somente agora consegue se desvencilhar das amarras.
Segundo dados do banco, o setor industrial demandou a maior parte dos investimentos do primeiro semestre, ou seja, R$ 11,6 bilhões do total emprestado. Em termos percentuais, o valor foi 62,7% superior ao volume investido pelo BNDES em projetos industriais no mesmo período de 2006.
Coutinho enfatizou que foram os projetos de metalurgia, material de transportes e a agroindústria os mais beneficiados com investimentos setoriais do BNDES, num total de R$ 6,5 bilhões. Mas houve também liberações para a área de infra-estrutura (R$ 8,5 bilhões), transporte terrestre (R$ 4,3 bilhões) e energia (R$ 2,1 bilhões). No capítulo da agropecuária, o maior volume de recursos se destinou aos projetos apresentados pelos setores sucroalcooleiro e de carnes.
A infra-estrutura será o enfoque visível do BNDES no segundo semestre, de acordo com informações preliminares dos técnicos da instituição. Somente em relação ao PAC há 126 projetos em análise, a maioria na área de produção de energia, uma das prioridades determinadas ao banco pelo governo federal.
Programa conjunto do Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás e Empresa de Planejamento Energético (EPE), visando à implantação de projetos de conservação e co-geração de energia, está na agenda imediata do BNDES, prevendo-se o estabelecimento de condições especiais de financiamento. A tragédia de Congonhas talvez coloque o BNDES na linha de reforço do desenvolvimento aeroportuário, atualmente transformado na gata borralheira de Brasília.


