Brasília – O senador Pedro Simon (PMDB-RS) questionou nesta quarta-feira (30), em plenário, a escolha do senador Sibá Machado (PT-AC) para presidir o Conselho de Ética do Senado, no momento em que o colegiado apreciará a representação do P-SOL para investigar denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros.

continua após a publicidade

Simon disse que por ser suplente da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o senador estaria vulnerável a manobras políticas do Executivo.

"O senador Sibá, se amanhã resolver tomar alguma atitude que o presidente Lula não goste, a ministra Marina Silva volta e ele não é mais presidente do conselho", argumentou Simon.

A representação do P-SOL pede ao Conselho de Ética que investigue se contas pessoais do presidente do Senado foram pagas pelo funcionário da empresa Mendes Júnior Cláudio Godoy.

continua após a publicidade

Outros senadores, como Jefferson Pérez (PDT-AM) e Cristovam Buarque(PDT-DF), compartilham da mesma preocupação do peemedebista gaúcho. Na opinião de Pérez, "nada impede que uma pessoa íntegra [senador Sibá Machado], mesmo com uma ameaça pairando sobre a sua cabeça, que haja de acordo com sua consciência. Mas a pessoa fica sempre mais frágil se, a qualquer momento, numa canetada do poder, seja retirada do Senado".

O pedetista amazonense, apesar de considerar possível um acordo de líderes para tentar preservar Renan Calheiros, preferiu descartar uma movimentação política neste sentido. "Isso seria muita ousadia, a meu ver", afirmou.

continua após a publicidade

Pérez lembrou que a representação do P-SOL será analisada por uma comissão formada por três senadores de partidos diferentes. "Não tem como fugir a isso".

Já o senador Cristovam Buarque considerou que com a indicação de um senador suplente, que "definirá o futuro, de alguma maneira, do Congresso, o parlamento ficou refém do Executivo". Disse que a situação é diferente de uma votação normal em plenário, quando o voto de um suplente dilui-se entre os outros 80 senadores. "Quando ele tem a posição de um presidente de comissão que julga o presidente do Senado, de fato o senador Simon tem razão. Não se trata de qualquer contestação as qualidades do senador Sibá Machado, é que no fundo quem vai presidir a comissão é um senador nomeado pelo presidente [da República]".

A líder do bloco governista, senadora Ideli Salvati (PT-SC), saiu em defesa do

colega de bancada e do presidente do Senado, Renan Calheiros. "O senador Sibá Machado é um parlamentar que se destaca pelo seu trabalho, seriedade e coragem. Não vamos permitir, nem admitir, que seja levantada qualquer dúvida a respeito do trabalho que ele vai desempenhar à frente do Conselho de Ética".

Ideli Salvati disse, ainda, que na sessão de hoje que elegeu o petista acreano não houve qualquer contestação à indicação.

Quanto a Renan Calheiros, a líder afirmou que, ao contrário da revista Veja, que a seu ver não teria apresentado provas das denúncias feitas, o parlamentar alagoano "tem apresentado uma série de documentos e, inclusive, disse que se houver necessidade de satisfazer qualquer tipo de dúvida terá condições de complementar as informações".

O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), não concordou com Pedro Simon. "Quando você quer arranjar um problema, arruma onde quiser. O senador Pedro Simon fez a sua avaliação, é um contestador, um senador que busca o contraponto em todos os momentos. Se o senador Sibá fosse efetivo, ele teria achado um outro defeito que não a suplência".