O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a figurar numa suposta lista de ?agentes públicos? que a Polícia Federal está interessada em auscultar. O nexo tornou-se passível a partir da intenção revelada pela PF de recolher informações de todos os citados pelo ex-deputado Roberto Jefferson ao denunciar a ajuda monetária recebida por deputados da base, o chamado mensalão.

A informação foi publicada por jornais do centro do País, referindo-se a um pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda no mês de março. A oitiva do presidente Lula poderá ser de grande valia ao trabalho da PF, porque o acusador afirmou em mais de uma ocasião ter revelado pessoalmente a sua excelência a movimentação de dinheiro escuso nas bancadas de apoio ao governo, em operações conduzidas por Delúbio Soares e Marcos Valério de Souza.

Malgrado o impacto destruidor que a apuração das denúncias teve sobre o governo, a conseqüência mais grave derivou da denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, contra as 40 pessoas diretamente envolvidas no esquema do mensalão. A denúncia foi apresentada ao STF no final de março e mantida em sigilo até a aprovação do relatório da CPMI dos Correios, para evitar quaisquer ilações duvidosas entre uma situação e outra.

O procurador caracterizou o esquema do mensalão como organização criminosa e atribuiu a chefia a José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República, sombra onipresente tanto no governo quanto na coligação do lulo-petismo. Da mesma relação constam os nomes de dirigentes nacionais do PT e colaboradores íntimos da gestão presidencial, fato que torna indesculpável o silêncio do chefe do governo.

Portanto, embora muitos fujam dessa realidade como o diabo da cruz, torna-se cada vez mais premente a manifestação pessoal do presidente Lula sobre a questão, sob pena de arcar com a carga insuportável e, praza aos deuses, imerecida, do desprezo de grande parte da população.