Além do instinto, a conduta sexual humana é fortemente regida por fatores emocionais. É no sexo que deságuam grande parte dos nossos desajustes e frustrações emocionais. Por isso, negar impulsos sexuais acarretam dois efeitos colaterais típicos: sonhos eróticos (simbólicos ou não) que buscam satisfazer desejos reprimidos (função psíquica do sonho por excelência) e o falso moralismo (que é a inveja da vida sexual alheia).
Mas, por outro lado, atender aos clamores de nossos devaneios eróticos não é sinônimo de satisfação plena, mormente porque o desejo sexual, manifestado por fantasias, acaba sendo uma forma de auto-flagelação. Goza-se à custa lembranças, conscientes ou não, de sofrimentos emocionais. Nesse caso, beber dessa água só faz aumentar a sede.
Na verdade o resultado da satisfação sexual está na perfeita (e utópica?) combinação entre corpo e mente. Toda vez que um se sobrepuser ao outro o resultado será frustração.
E como somos hoje bombardeados por imagens, a fantasia vence de goleada a realidade. É claro que sexo precisa de fantasia, mas se fantasiado em demasia perde o seu principal encanto que é a unidade puramente física entre dois corpos. O sexo passa a ser apenas uma masturbação a dois. Despreza-se a diversidade dos prazeres provocados pelo simples toque.
Divagações à parte, não dá para negar: o orgasmo é sempre uma maravilhosa suspensão dos sentidos, um dos raros momentos em que o peso de existir dá lugar a uma indescritível sensação de leveza, ainda que por breves e escassos segundos.
Djalma Filho é advogado
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