O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse hoje, em Fortaleza que deve haver "pelo menos uma coincidência" entre o momento de "aflição" vivido pelo presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), alvo de uma iminente Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, e as denúncias feitas por ele sobre o suposto esquema de mesada para deputados.
"Ele antes nunca denunciou e nem nunca falou sobre isso. Se ele sabia há tanto tempo, deveria ter denunciado antes, não agora nessa aflição em que ele está", declarou Severino, após participar de uma solenidade na Assembléia Legislativa do Ceará, em homenagem aos 20 anos da redemocratização do Brasil.
De acordo com ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está refém da crise que se instalou no Congresso. "Ele (Lula) vai resolver as coisas com bastante sabedoria. O presidente não vai ficar engasgado com pouca coisa. O que ele tem de fazer é esperar a Câmara tomar as devidas providências", aconselhou.
Severino disse até mesmo ter ficado surpreso com as informações dadas por Jefferson de que o tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, repassava, supostamente, um "mensalão" de R$ 30 mil aos deputados do PP e do PL. "Eu não acredito nessas colocações", afirmou. Mesmo assim, o presidente da Câmara dos Deputados disse que remeteria o caso para a Corregedoria da Casa. "Se tiver algum deputado que tenha recebido essa mesada, eu encaminharei para o corregedor-geral Ciro (nogueira, do PP do Piauí) para que ele tome as providências devidas", prometeu. De acordo com Severino, os supostos envolvidos poderão ser punidos com a perda do mandato.
O presidente da Câmara assegurou ainda não haver nenhuma ligação entre o corte da suposta quantia, que, segundo o presidente nacional do PTB, teria sido feito por Lula, em janeiro, com a escolha do nome dele para a presidência da Casa. Segundo Jefferson, a insatisfação dos deputados com o corte teria resultado na eleição de Severino. "Não tem nenhuma ligação disso com a minha eleição. A minha eleição foi um imperativo da consciência brasileira. O Brasil queria que a Câmara mudasse e eu fui o porta-voz. Representei os anseios da sociedade brasileira, que queria um Poder Legislativo independente, sem ser subjugado a quem quer que seja", afirmou.
O presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), também estava presente à coletiva. Assim como Severino, Corrêa assegurou desconhecer qualquer esquema de mensalidade. "Eu nunca ouvi falar nessa história de mensalão na Câmara", asseverou. De acordo com ele, o presidente nacional petebista teria deixado inúmeros recados, na terça-feira (31), depois das denúncias contra ele publicadas na revista "Veja", dizendo que gostaria de falar com ele. "Fui à residência dele e ele então me fez dois pedidos. Um que Severino pudesse presidir a sessão na qual ele iria falar sobre o assunto, e presidiu. O outro pedido era que a bancada do PP comparecesse em peso, e compareceu."
Corrêa afirmou que, "em nenhum momento", pediu para Jefferson não falar sobre o tal "mensalão". "Apenas disse a ele: ‘Olha, tome cuidado porque você pode falar em algo que nem lembra e pode faltar com o decoro parlamentar.’ Disse isso, e fui embora.".
"Nunca tomei conhecimento. Eu afirmo, categoricamente, que nunca ouvi nenhum parlamentar do PP que tenha recebido dinheiro do PT e nem de quem quer que seja", insistiu Corrêa, assegurando que a relação do partido com o governo continuará a mesma.
Sobre a instalação ou não da CPI dos Correios, Severino informou que dependerá do "estado de espírito" dos deputados. "Eles não estão subjugados a ninguém e vão votar de acordo com a própria consciência", afirmou.


