As empresas de geração e distribuição de energia, filiadas à Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica (CBIEE) deixaram de ganhar R$ 69 bilhões entre 1998 e 2004 por concentrar seus investimentos no Brasil e não em outros países. O cálculo foi feito pela consultoria Stern Stewart & Co, a pedido da CBIEE. A consultoria utilizou um indicador por ela patenteado, conhecido como EVA, que em português significa Valor Econômico Adicionado.

Segundo o vice-presidente sênior da consultoria, Augusto Korps Júnior, o EVA leva em conta não apenas o lucro operacional contábil, mas também quanto os investidores aplicaram no capital da empresa, e quanto eles teriam de retorno se aplicassem os mesmos recursos em investimentos semelhantes. "Isso significa que entre 1998 e 2004 essas empresas do setor elétrico deixaram de ganhar R$ 69 bilhões, por investir no setor elétrico brasileiro e não no setor elétrico de outros países", afirmou.

O estudo foi entregue hoje (29) ao diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman. O consultor afirmou que o principal fator que faz com que as empresas do setor elétrico brasileiro tenham desempenho aquém do esperado é o custo de capital no Brasil (que inclui juros, risco Brasil e risco regulatório). Segundo a consultoria, em 2004 o custo de capital no Brasil foi de 18%, enquanto que na Europa, por exemplo, foi de 7%. E nos Estados Unidos e no Canadá 6%. Nesses países, as empresas do setor elétrico têm seu EVA próximo a zero