São Paulo (AE) – O déficit de gás natural no Brasil neste ano será de 18 milhões de m³ por dia. A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) lançou um alerta para o fato de haver desabastecimento em dois anos. Na Bahia, o mais antigo consumidor de gás natural do País, vigora neste momento um racionamento.

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O setor cobra rapidez do governo federal e do Ministério de Minas e Energia para estabelecer um programa nacional de infra-estrutura para expandir a oferta e, principalmente, fazer a interligação da malha nacional, seja no Sul – como porta de entrada do gás argentino -, seja a interligação Sudeste-Nordeste pelo Gasene. As reservas de gás natural no País chegam a 326,1 bilhões de m³, suficientes para atender à demanda.

Sem um plano nacional, a única política em vigor no País relacionada ao gás é a comercial, realizada pela Petrobrás e pelas 19 distribuidoras. O governo federal, que promete há anos a política nacional para o gás, alega que "discute com o setor" uma proposta de projeto de lei de Política do Gás que enviará ao Congresso Nacional em dois meses.

A partir daí o problema passa a ser a atual crise política que paralisou o parlamento. "É urgente um planejamento" salienta Romero de Oliveira e Silva, presidente da Abegás.

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Segundo Sérgio Bajay, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico da Universidade Estadual de Campinas (Nipe/Unicamp), o governo precisa tomar as rédeas de um mercado promissor, mas que anda ao sabor das empresas.

O déficit será de 18 milhões em 2005, 17,8 milhões de metros cúbicos por dia em 2006 e 27,8 milhões m³/dia em 2006 e 2007, respectivamente. Pode cair somente em 2008, quando 26 milhões de m³/dia, e em e 2009, quando 42 milhões de m³/dia poderão ser injetados no sistema nacional de distribuição. A oferta, entre o período, chegará a algo entre 96 milhões de m³/dia e 110,5 milhões m³/dia.

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As novas ofertas previstas terão de vir da expansão do gasoduto Bolívia-Brasil, da Transportadora Sulbrasileira (empresa que trará gás de Uruguaiana-RS, porta de entrada do gás importado da Argentina) e do novo Campo de Mexilhão (na Bacia de Santos). Até lá, o Brasil terá de torcer para que as chuvas sejam suficientes para manter os reservatórios das hidrelétricas bem abastecidos.

Só isso mantém a situação atual: térmicas desligadas, sem consumo de gás. É por isso que o abastecimento de boa parte do País (exceto a Bahia, que vive racionamento neste momento) não foi atingido. Nesta situação, o déficit é contábil, em razão da obrigatoriedade de assegurar um "lastro" para as térmicas, a garantia de fornecimento caso necessário.

Oliveira e Silva recorre a uma imagem bem ilustrativa para explicar o atual cenário brasileiro do gás. "É como um shopping com 1 mil vagas no estacionamento. Todos sabemos que São Paulo tem mais de mil carros. Se todos resolverem ir ao shopping ao mesmo tempo, não vai caber todo mundo."

É esta a situação do mercado de gás no Brasil. Não há gás se o País tiver de ligar as termelétricas. E o consumo continua crescendo. De janeiro a maio, o consumo de gás no Brasil subiu 11,21% sobre igual período de 2004. A demanda avança em todos setores.