Depois de rejeitadas as questões de ordem do governo para impedir a criação da
CPI dos Correios, a sessão do Congresso assumiu um tom eleitoral. O líder do
PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), subiu à tribuna enquanto outros deputados
abriam à sua volta um painel com as frases "Roupa suja se lava na CPI" e "PT,
quem te viu e quem te vê". Ele só foi retirado por determinação do presidente do
Senado, Renan Calheiros. No plenário, um deputado aliado do governo acusou:
"Está aí o palanque que o PSDB queria".

Goldman iniciou o seu discurso
afirmando que existe "algo de podre em alguma parte do governo" e que com a CPI
dos Correios não se pretendia atingir nem o PTB, nem o seu presidente, deputado
Roberto Jefferson. Goldman rechaçou a tese de que a CPI vai abalar a
governabilidade e disse que seu partido a garantirá. "Vamos garantir a
governabilidade e fazer com que a CPI seja o desmascaramento das alianças
espúrias", disse Goldman. Ele concluiu afirmando desejar a permanência do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o final do seu mandato. "Fica Lula até
2006 e nós vamos vencê-lo", afirmou. E concluiu. "Até a vitória,
companheiros".

O líder do PT na Câmara, Paulo Rocha, reagiu ao discurso
de Goldman dizendo que o centro da disputa política não é a CPI, mas o fato de
que a elite brasileira "não engole a vitória de Lula para governar este país".
Rocha disse que ainda na campanha o governo anterior tentou caracterizar que a
eleição de Lula seria uma ameaça à democracia. "E agora continuam com a mesma
prática".

Enumerando realizações do atual governo, o líder petista
afirmou que o PSDB e o PFL não esperavam que o presidente "tirasse o País da
crise que eles deixaram". E dirigindo-se ao líder do PSDB no Senado, Arthur
Virgílio (AM), qualificou-o como "famoso por enterrar CPIs". Rocha concluiu o
seu pronunciamento afirmando que este governo "não deixa roubar, não rouba e é
implacáve l com os corruptos". "Não vamos deixar que a CPI se transforme em
palanque eleitoral. Mas vamos governar até o fim".