Um dos seis presos hoje pela Polícia Federal, na Operação Mão-de-Obra, era um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Outros 14 suspeitos de ligação com a quadrilha, especializada em fraudar licitações em órgãos públicos nas áreas de vigilância, serviços gerais e informática, podem ter prisão decretada nos próximos dias.

A quadrilha, segundo a PF, é a ponta visível de um gigantesco esquema de fraudes nos editais de licitação do setor público, envolvendo um conluio entre servidores públicos corruptos e empresários corruptores. A PF tem indícios de que governos federal, estaduais e municipais são vítimas dos golpes. O esquema é antigo e a investigação abrange contratos de três empresas – Conservo, Ipanema e Brasília Informática – com o governo federal nos últimos quatro anos. As três empresas prestam serviços de segurança e limpeza nos órgãos federais investigados. Pelos primeiros dados levantados, o prejuízo pode ser superior a R$ 100 milhões.

A operação foi desencadeada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), que fará uma auditoria sobre todos os contratos suspeitos, a fim de suspendê-los. Os autos serão enviados ao Ministério Público para fins de cobrança judicial de ressarcimento. Só um deles, para serviços gerais e vigilância do Ministério da Justiça, renderá R$ 25 milhões este ano à Conservo.

Ao longo do dia, foi apreendida farta quantidade de documentos em 30 buscas realizadas no Senado, um dos principais focos da quadrilha, na Abin, no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e nos Ministérios da Justiça e dos Transportes. A quadrilha, segundo a PF, realizava acertos para lotear grandes licitações de órgãos públicos e contava com a colaboração de servidores, que passavam informações privilegiadas ou atuavam de forma a atender os interesses dos empresários na elaboração de editais.