Curitiba (AE) – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) disse hoje, em Curitiba, que a investigação das denúncias sobre recursos que teriam vindo de Cuba para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a princípio, deveria ir para a CPI do Caixa Dois, que foi protocolada. "Considero que já está criada pelo fato de ter assinatura de dois terços. Se for instalada, não será competência nossa", afirmou.

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"Mas, se ao invés de criar a CPI do Caixa Dois, eventualmente, jogarem para dentro da CPI dos Correios, teremos de investigar", disse. "Vamos investigar as duas linhas; vamos a fundo para ver quem tem razão." Serraglio afirmou temer apenas que aconteça o mesmo que na CPI do "Mensalão". "Depois de um mês que estávamos trabalhando, criaram a CPI do ‘Mensalão’ e cortaram nossa possibilidade de investigar", lamentou. Segundo ele, ainda não está claro se as adesões à CPI do Caixa Dois "eram reação momentânea ou se, efetivamente, têm como objetivo investigar".

Serraglio afirmou que as seguidas acusações atrapalham um pouco o trabalho da comissão. "São assuntos do momento. Aí, passa-se o dia inteiro discutindo se é ou não para discutir aquilo. Cada vez tem um fato novo; perde muito da produção da comissão em discussão", ressaltou. O relator da CPI dos Correios disse ter certeza de que, na primeira reunião da comissão, "vai ter requerimento para quebra de sigilo dessa e daquela pessoa para ouvir fulano e fulano, o pessoal que disse ter carregado dinheiro em caixa de uísque". "Temos de saber conduzir, senão, não avançamos na investigação. A CPI vira desaguadouro de tudo o que acontece no País", disse.

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