Os senadores pretendem marchar na semana que vem até o gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para exigir dos deputados a votação dos projetos de reforma política. As propostas foram aprovadas pelo Senado há mais de cinco anos, mas na Câmara foram para a gaveta por mais de três. E, quando desengavetadas por uma comissão especial, foram modificadas. Passaram pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) há mais de ano. Estão prontas para votação em plenário.
"É preciso organizarmos uma marcha até a presidência da Câmara. Se a reforma política está parada lá, é hora de fazê-la andar", disse o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), um dos líderes do movimento. Outro senador que está engajado na campanha para que a Câmara vote a reforma política é Pedro Simon (PMDB-RS). "O Congresso Nacional tem 1,1% de aprovação e 98,9% de rejeição. É o que pensa de nós a sociedade brasileira", disse. "É claro que não temos condições de obrigar a Câmara a trabalhar. Aprovamos, e a Câmara botou na gaveta. Mas se esta Casa trabalhar, debater, analisar e cobrar, a matéria sai da gaveta da Câmara também", disse Pedro Simon.
Ele afirmou que nesta quarta-feira (30) a mocidade, que já foi à rua exigir a abertura de um processo contra o ex-presidente Fernando Collor, deveria fazer seus protestos novamente. "A mocidade deveria vir aqui, de roupa branca, cercar o Congresso. Só que, desta vez, cercar o Congresso, o Executivo e o Supremo Tribunal Federal. Exigir cobranças, fazer exigências. O que fizemos até agora? Estamos votando leis, mas isso aqui parece uma torre de babel. Cada um fala uma língua diferente, age de uma maneira diferente; todos vão dormir tranqüilos e não acontece nada", insistiu Simon.


