O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), foi hoje (11) à tribuna questionar a decisão dos técnicos do Ministério da Saúde para estabelecer critérios para internação de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da rede pública. A proposta pretende orientar e ajudar médicos e profissionais de saúde nas suas decisões cotidianas e evitar que pacientes sem chances de cura ou que não estejam em estado crítico ocupem desnecessariamente os leitos de terapia intensiva do Sistema Único de Saúde (SUS).

Virgílio Neto qualificou de "nazista" a nova norma que está sendo elaborada pelo Ministério da Saúde. "Isso é uma coisa perigosa que tem critérios nazistas de seletividade", afirmou o parlamentar. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), enfermeira por profissão, disse entender a necessidade de ser dar mais eficácia ao SUS criando-se novas metodologias, como no caso das internações. No entanto, mostrou-se preocupada com os critérios para este caso.

A senadora lembrou o caso de seu filho, atropelado em Brasília há dois anos. Alguns médicos chegaram a dizer, segundo ela, que não teria chances de sobreviver. "Hoje pela manhã, ao ler a reportagem no jornal, ele me telefonou e perguntou o que teria acontecido com ele se esta lei (critérios para internação em UTI) estivesse em vigor", disse Heloísa Helena.

O primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), apartou as críticas. Disse que não há, por parte do governo, qualquer intenção de selecionar pacientes para ocuparem leitos das UTIs dos hospitais da rede pública de saúde. Ao anunciar a criação de normas e padrões para as internações em UTIs, a intenção do Ministério da Saúde é justamente evitar que pacientes que podem ser tratados em enfermarias ou casos considerados sem chances de cura ocupem leitos em terapias intensivas, deixando quem realmente precisa sem vaga, afirmou Viana.

O senador petista, que é médico com doutorado em medicina tropical, ressaltou que "existem pacientes que estão sendo internados em terapias sem justificativa, com casos menos graves do que doentes que estão fora e que necessitam do leito para não morrerem".