Um novo confronto entre oposição e governo tomou conta do plenário do Senado, culminando com uma guerra de pedidos de quebra de sigilo. Depois que o senador Tião Viana (PT-SE) requereu a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, a oposição deu o troco. O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) apresentou requerimento pedindo a quebra do sigilo, nos últimos cinco anos, de Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, que continua protegido por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

"É um ato afrontoso, algo inadmissível", reagiu a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), quando o clima de radicalização chegou ao filho do presidente Lula. Segundo Antero as últimas informações dão conta de que Fábio Luis teria sido beneficiado com recursos da Telemar no valor de R$ 15 milhões e não de R$ 5 milhões para sua empresa Gamecorp. Ele quer, então, que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, forneça ao Senado toda a movimentação bancária e todas as operações autorizadas pelo Banco Central em favor de Fábio Luis.

Além disso, o PSDB e o PFL decidiram pedir ao Ministério Público que investigue os responsáveis pelo "crime" de violação da conta bancária do caseiro Francenildo, tendo como alvos o Banco Central, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF). Irritados com a iniciativa de Tião Viana, a oposição quer também que a Polícia Federal tome providências.

"Vamos saber a verdade crua e nua", disse Tião Viana, ao justificar sua iniciativa que, inclusive, foi atendida pelo próprio caseiro. Ele se antecipou e avisou, por telefone, ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR) que suas contas estão à disposição Na semana passada, Tião Viana conseguiu impedir o depoimento de Francenildo à CPI dos Bingos, diante da liminar do STF. "Eles (os petistas) só arrombam porta aberta", disse ACM, diante dos argumentos de que o sigilo do caseiro já havia sido violado.

Ao defender o requerimento do colega petista, Ideli Salvatti afirmou ser necessário tornar pública a verdade para avaliar "se houve ou não algum tipo de intermediação". Ela classificou a oposição de "afoita" no desejo de atingir o governo por conta da preferência eleitoral de Lula nas pesquisas Ao longo do dia, governo e oposição trocaram discursos agressivos no plenário, acirrando os ânimos. O PT tentou ampliar a discussão e dar uma nova versão ao episódio: houve apenas o vazamento de informações, a exemplo que já ocorreu com pessoas do governo como Paulo Okamotto e do ex-ministro José Dirceu.

"Os vazamentos têm sido recorrentes", disse. "Agora esse vazamento do caseiro virou o escândalo dos escândalos. Ou seja, para os outros é bom o vazamento". O líder do PFL, senador José Agripino (RN), condenou a atitude de Tião Viana, para ressaltar a importância de apurar agora os responsáveis pela violação do direito individual do caseiro. "O que a Polícia Federal tem a ver com isso?", perguntou. "Não vamos inverter os fatos". O senador Álvaro Dias alertou que o PT estava adotando um ato ilegal. "É uma insinuação preconceituosa, que parte do princípio de que um trabalhador não pode ter conta bancária. O senador não pode se associar à violência contra direitos individuais", completou.

"Houve um crime, uma invasão, numa atitude fascista e de covardia", continuou o tucano, pedindo punição para os responsáveis pela quebra do sigilo do caseiro. "Agora esse vazamento do caseiro virou o escândalo dos escândalos. Ou seja, para os outros é bom que vaze".

Os senadores do PSDB e do PFL foram contundentes em acusar o "estado policial" criado pelo governo do PT. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), anunciou que seu partido entrará com ação no Ministério Público para apurar as responsabilidades do Banco Central, Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal (CEF) no episódio envolvendo o caseiro. "A verdade virá à tona. É um Estado policial neste país contra o qual devemos nos insurgir. O regime totalitário sempre começa do nada. E vai aos poucos fazendo cair os pilares da democracia", ressaltou.

Além de críticas ao ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, que teria perdido a confiança, a oposição concentrou sua artilharia contra o presidente da CEF, Jorge Matoso. "Ele é o responsável imediato", disse o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). "A Caixa se transformou num aparelho a serviço do PT" completou Álvaro Dias. O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) observou que, no Piauí – terra do caseiro – o governador é funcionário da Caixa.