João Pessoa, 07 (AE) – Cerca de 350 Trabalhadores rurais sem-terra ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) entraram em confronto, hoje (07) à noite, com o pelotão de choque da Polícia Militar da Paraíba, em frente ao Palácio da Redenção, a sede do governo do Estado, no centro de João Pessoa.

Os sem-terra aguardavam, sentados em frente ao palácio, ser recebidos em audiência pelo governador Cássio Cunha Lima (PSDB), para solicitar a desapropriação de nove áreas de conflito no Estado.

Segundo a CPT, os policiais teriam mandado os sem-terra se levantar do local, que é considerado área de segurança. Os sem-terra quebraram as portas de vidro do palácio. O pelotão de choque, segundo Dorival Fernando, integrante da CPT no Estado, reagiu atirando balas de borracha, jogando spray de pimenta e batendo com cacetete.

Pelo menos três sem-terra foram feridos no confronto. Segundo Dorival Fernando, os PMs dispararam cerca de 30 tiros. Uma menina de 12 anos, um rapaz de 25 e o agricultor José Aderbal dos Santos, de 72 anos, foram levados para o Hospital de Trauma e Emergência de João Pessoa, mas estão fora de perigo.

Pela manhã, os sem-terra haviam invadido a Assembléia Legislativa da Paraíba, para pedir o apoio dos deputados. Deixaram a Assembléia por volta de 12h e foram para a frente do Palácio do Governo. O governador prometeu receber as lideranças dos sem-terra, da CPT e do Incra por volta das 16h, mas a audiência só ocorreu após o confronto.

Em nota oficial, o governo da Paraíba informou que houve radicalismo dos sem-terra no tumulto em frente ao Palácio. De acordo com a nota, os manifestantes jogaram pedras e quebraram a porta principal do palácio.

Na nota, o governo diz ainda que, das nove áreas reivindicadas, seis não podem ser desapropriadas por questões judiciais. Diz que só pode promover a desapropriação das outras mediante convênio com o Incra.