Passamos décadas e, de certa forma, mais de século, chorando porque os países ricos, ou Portugal colonizador, não nos dava o que entendíamos ser merecedores. No que tange ao período colonial, tal posição se justificava, pois tínhamos amadurecido a ponto de podermos andar pelas próprias pernas. De forma cambaleante, é verdade, mas esta teria de ser, inescapavelmente, a fragilidade de qualquer país nascente dando seus primeiros passos. Incluímo-nos, desde então, num meio em que se destacavam grandes impérios dominando o mundo. É evidente que na economia mundial, ainda não globalizada, mas já com um razoável sistema de trocas, levamos muitas desvantagens.

Com o surgimento do comunismo, vitorioso nos países do Leste Europeu, aqui e em outros países subdesenvolvidos, caminhando para a condição de em desenvolvimento, plantou-se a idéia de que não alcançávamos o desenvolvimento porque vítimas de um certo imperialismo dos países capitalistas. Ficamos à mercê de uma luta ideológica e de forte propaganda, sustentada pelas correntes porfiantes. Que fomos, até certo ponto e em determinadas circunstâncias, explorados, não restam dúvidas. E se não fomos pelos países do outro lado da Cortina de Ferro é porque nos integrávamos ao bloco oposto, o ocidental, com o qual mantínhamos e mantemos ainda um maior volume de relações comerciais.

O reconhecimento dessa exploração, entretanto, não pode nos levar a acreditar que todo o nosso subdesenvolvimento, ou o desenvolvimento que poderíamos ter alcançado, se deve à ação predadora das nações mais ricas. Lula, depois de ter comparecido à reunião do G8, em Evian, França, voltou com uma visão mais realista. Disse que é hora de os países em desenvolvimento, como o Brasil, pararem com a choradeira e procurarem resolver os seus próprios problemas. E, ao invés de culparmos por nossos insucessos os subsídios que os países ricos com os quais negociamos ou tentamos negociar dão à sua produção, melhor pararmos a choradeira e buscarmos a competitividade, que se faz com produção e produtividade, com a associação com países vizinhos, transformando-nos num amplo e cobiçado mercado fornecedor e comprador.

A choradeira de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento da Ásia, de parte da Europa e daqui da América Latina tem sido de implorar o auxílio que não nos dão e reclamar dos empecilhos que criam para o ingresso em seus mercados dos nossos produtos. O que fazem é parte das regras do jogo, que temos de aprender a jogar. E para fazê-lo em igualdade de condições, é preciso termos consciência dos nossos próprios potenciais, de nossas próprias falhas e de nossas próprias soluções.

Um país imenso como o Brasil, rico e com uma agricultura já expressiva, que pode transformar-se na maior do mundo, não tem por que andar de joelhos. Pode, sim, crescer pelo esforço dos próprios brasileiros e competir, transformando-se também em potência, o que exige uma mudança de comportamento e modernização de seu arcabouço produtivo, nas formas de comerciar, tornando-se atraente pelo que oferece e não digno de pena, comovendo com lamentos.

Os países ricos pensam, antes de mais nada, em si próprios. É o que temos de fazer, acreditando que os grandes culpados pelo nosso subdesenvolvimento somos nós mesmos.