Selic cai só 0,5 ponto, aposta mercado

Brasília – O mercado financeiro chegou às vésperas da reunião de amanhã (13) e quarta-feira do Comitê de Política Monetário (Copom) certo de que o ritmo de corte dos juros continuará em 0,50 ponto porcentual. "Eu já encaro este fato como algo líquido e certo", disse o economista da corretora Concórdia, Elson Teles. A taxa, no cenário contemplado em pesquisa semanal Focus divulgada hoje pelo Banco Central (BC), recuaria dos atuais 18,50% e terminaria o ano em 18%, menor nível desde os 17,75% de dezembro de 2004.

A inflação corrente e futura, na visão de Teles, ainda não abriu o espaço necessário para o Copom ser mais ousado nas dosagens de diminuição dos juros. "A projeção do BC para a inflação do próximo ano, no cenário de mercado, deve estar próxima dos 5%", disse. Como o porcentual é 0,5 ponto porcentual maior que a meta central de 4,5% fixada para 2006, o economista não vê motivos para uma aceleração dos cortes de juros.

O IPCA de novembro, na visão do economista da corretora Concórdia, veio em nível alto. "O porcentual de 0,55% apurado pelo IBGE é 0,15 ponto porcentual maior do que se esperava antes da última reunião do Copom", comentou. Os resultados positivos da inflação medida pelo IPC da Fipe e do IGP-M não deverão mudar a decisão dos diretores do BC na última reunião do ano do Copom. "O que importa mesmo para eles é o IPCA. Os outros índices não têm tanto peso", afirmou.

Teles acha que o Copom deverá manter o ritmo de cortes de juros de 0,50 ponto porcentual até meados do próximo ano. "O Copom pode chegar em julho com os juros de volta aos 16% e resolver dar uma parada nas reduções ou mesmo reduzir um pouco mais a velocidade das quedas", disse. Ele lembrou que nos Estados Unidos o Fed (Banco Central norte-americano) costuma não reduzir os juros perto de eleições gerais como as que ocorrerão em outubro no Brasil.

Neste cenário, o economista da corretora Concórdia acha pouco provável que o Produto Interno Bruto (PIB) possa ter uma expansão de 5% no próximo ano. "Não vejo isso. Trabalho com crescimento entre 3% e 3,5%", disse. Ele admite, no entanto, que poderá chegar às vésperas das eleições de outubro crescendo em torno de 5% na margem. "A média do ano, no entanto, não chegará a este porcentual", disse. Na pesquisa Focus, a projeção de crescimento do PIB para este ano voltou a cair, passando de 2 66% para 2,52%.

Para este ano, Teles disse que as previsões de crescimento dependerão da revisão que o IBGE fará do resultado do PIB no terceiro trimestre do ano. "Se a queda for mantida em 1,2%, o crescimento ficará mesmo próximo dos 2,3% esperados pelo Ipea", comentou. Em caso de revisão para uma contração de apenas 0,8%, o economista acredita que o PIB poderá fechar o ano em cerca de 2,5%.

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