Oito bandidos, a maioria armados, fizeram um arrastão dentro da linha Interbairros V, na noite desta sexta-feira (15), na Vila Guaíra. Não machucaram ninguém, mas foram violentos e mantiveram armas apontadas para os trabalhadores da linha.

Conforme o motorista, que pediu para não ser identificado, o coletivo estava cheio, tinha cerca de 40 passageiros, e circulava pela Avenida Presidente Kennedy. Por volta das 20h30, quando ele parou num ponto, para um passageiro que deu sinal, oito marginais invadiram o coletivo. Parte deles estava armada.

Motoristas e cobradores cobram instalação de câmeras em ônibus em audiência pública

 

Dois ficaram apontando armas à cobradora e mais um ao motorista. Os outros cinco fizeram a limpa nos passageiros, levando dinheiro, celulares, joias, entre outros objetos de valor.

Para não levantar suspeitas, os bandidos mandaram o motorista seguir viagem. Quando a quadrilha terminou de recolher tudo o que queria, ordenou que o motorista parasse e abrisse a porta. O bando fugiu sentido Vila Guaíra.

O motorista continuou um pouco mais adiante, até parar num módulo da Polícia Militar, ao lado do Paraná Clube. Lá já fizeram o boletim de ocorrência e policiais foram em busca dos suspeitos. Mas os assaltantes não foram localizados.

Ninguém ficou ferido. Mas a cobradora, segundo o Sindicato de Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região (Sindimoc), ficou em estado de choque e ainda está tendo crises de choro, pois ficou com duas armas apontadas contra si.

Trabalhadores na mira

Já são pelo menos quatro casos registrados de roubos e agressões contra os trabalhadores e usuários do transporte coletivo, nas últimas quatro semanas. Também na noite de sexta-feira, um motorista apanhou e a cobradora foi ferida com estilhaços de vidro, por dois rapazes que não queriam pagar a passagem, no terminal Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

Na noite do dia 31 de agosto, um motorista do Ligeirão Boqueirão foi esfaqueado ao tentar impedir a fuga de um ladrão que assaltou o coletivo, no Hauer.

No dia 22 de agosto, à noite, três bandidos fizeram um arrastão contra passageiros e o cobrador do Interbairros 3, no Xaxim. Desta vez, pelo menos, foram presos em flagrante.

No dia 20 de agosto, um cobrador que trabalhava na linha Curitiba / Campo Largo foi esfaqueado por um assaltante, que tentou um arrastão no coletivo. Não bastasse isso, horas mais tarde ele ainda teve seu carro roubado, enquanto estava no Hospital Evangélico, recebendo atendimento pela facada.

Além destes recentes exemplos, há outros inúmeros casos que vêm acontecendo. Um dos mais graves foi o assassinato do motorista Edmilton José de Melo, 45 anos, assassinado pelos ladrões durante um arrastão à linha Curitiba / Jardim Paulista, na BR-116.

Protestos

Por conta da onda de violência no transporte coletivo, não só contra motoristas e cobradores, mas também contra passageiros, o Sindimoc vêm fazendo diversos atos, protestos e paralisações no sistema de transporte, pedindo mais segurança para todos.

Várias paralisações foram feitas no transporte da capital este mês, porém sob a alegação de que os patrões estavam punindo os motoristas e cobradores (ameaçando descontos salariais e demissões), o sindicato decidiu mudar a estratégia e fazer um grande ato, no dia 20 de setembro (próxima quarta-feira), às 15h, na Praça Rui Barbosa, reunindo não só os trabalhadores do sistema de transporte, mas também a população em geral.

Os objetivos dos atos do Sindimoc – batizados de “Setembro de Luto” e que usam a hashtag #somostodosEdimilton nas redes sociais – é a de pedir câmeras de segurança com monitoramento online 24 horas, integrado aos órgãos de segurança, criação da Delegacia Especializada em Crimes no Transporte Coletivo e mais viaturas da Guarda Municipal dedicadas exclusivamente ao patrulhamento do transporte coletivo.