O motivo do assassinato do adolescente Matheus Hoepers, 17 anos, ocorrido em 1.º de outubro de 2010, no bairro Uberaba, em Curitiba, não foi oficialmente esclarecido até hoje. Mas um dos acusados do crime, Denis Christian de Pinheiro Leite, está indo a júri popular nesta segunda-feira (11), no Tribunal do Júri de Curitiba.

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Os outros três suspeitos do crime, apontados no inquérito policial da época, não tinham provas suficientes que os levassem a julgamento. Mas a esperança da mãe de Matheus, a engenheira florestal Célia Maria Maia, 49 anos, é a de que a verdade venha à tona e Denis aponte, perante o juiz, os outros participantes do crime. A expectativa é de que o júri seja longo, pois foram reservados dois dias para que ele: hoje e amanhã.

O crime só não foi esquecido numa prateleira devido à insistência de Célia na época. A engenheira conta que cansou de ir à Delegacia de Homicídios (que três dias depois do assassinato, sequer tinha um mero registro da morte do rapaz) e perguntar como andavam as investigações. Como estava sempre tudo parado, ela mesma resolveu correr atrás de provas. Perguntou para um e para outro na redondeza do local do crime, sem conseguir nada. Então espalhou cartazes pela cidade com a foto do filho e pedindo que qualquer pessoa que soubesse de qualquer detalhe que entrasse em contato com ela.

As faixas despertaram a atenção da imprensa e, claro, chacoalhou os brios da polícia, que resolveu investigar. Logo surgiu a filmagem de uma câmera de segurança que gravou o assassinato de Matheus. Mas a qualidade era ruim e não foi possível constatar a placa do carro que abordou o rapaz, uma Ecosport preta.

No decorrer da investigação, quatro pessoas foram apontadas como suspeitas. Uma delas era Denis, que namorava uma mulher que foi casada com o pai de Matheus. Apesar disto, as provas no inquérito contra as outras três pessoas eram frágeis e, quando o Ministério Público denunciou os quatro suspeitos, o juiz só acatou denúncia contra Denis, contra quem haveria provas mais robustas. Um júri chegou a ser marcado para agosto do ano passado. Mas por Célia ter passado muito mal no dia, foi reagendado.

Justiça

Denis nunca chegou a ser preso. Então Célia espera que o júri sirva para que ele seja condenado, preso e reflita sobre o crime. “Que país é esse onde uma pessoa mata a outra e continua à solta, levando uma vida igual a todo mundo? Que vida mansa pra um assassino, não é? Eu ainda espero que o Denis possa descrever tudo o que aconteceu, quem deu o tiro, quem dirigia a Ecosport, porque fizeram isso”, diz Célia, indignada.

Perplexidade resume o sentimento de Célia. “Nunca imaginei que alguém que conhecesse o Matheus pudesse fazer isso. Era um rapaz de olhar puro, sem maldade, pronto pra ajudar todo mundo. Não dá pra acreditar que alguém teve coragem de matá-lo. Olha, Dia Internacional da Mulher, não tem violência maior contra uma mulher que matar um filho. 60 mil mães perdem seus filhos assassinados no Brasil, todos os anos, por motivos fúteis como foi o caso do Matheus. E 95% dos crimes no Brasil não são esclarecidos. Hoje eu queria estar indo na formatura de mestrado do meu guri. Ele estaria com 25 anos. Mas estou aqui, num Tribunal do Júri”, lamentou Célia, que deu entrevista à Tribuna no Dia Internacional da Mulher.

O assassinato de Matheus

No dia do crime, uma sexta-feira, Matheus seguia para a aula de música com seu baixo. Ele andava pela calçada da Rua Dona Saza Lattes, no Uberaba, quando uma Ecosport passou por ele. Um dos integrantes desceu e tentou empurrá-lo para dentro do carro. Como não conseguiu, o carro deu a volta no fim da quadra, voltou até Matheus e um dos integrantes atirou no adolescente.

Matheus chegou a ser socorrido com vida pelo Siate. Mas morreu no dia seguinte, internado no hospital. Ele tinha intenção de ser músico. Tanto que já tinha feito inscrição no vestibular para Engenharia Sonora da UFPR e Música na FAAP. Até que Célia tomasse peito e tentasse investigar tudo por conta própria, demorou ainda mais algum tempo para ela entender que o crime poderia ser uma vingança passional. Apesar de Célia saber o motivo e os envolvidos, isso tudo nunca foi fundamentado no inquérito.

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