Cerca de mil vítimas pelo país acabaram caindo no golpe da Shalom Operadora, agência de viagens com sede em Curitiba. A empresa prometia levar pessoas para a Terra Santa, Disney e até para a Copa do Mundo do Qatar, em 2022.

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No entanto, segundo investigações da Polícia Civil do Paraná (PCPR), o pacote de turismo nunca existiu. A operação “Shalom” culminou em oito prisões preventivas e temporárias, bloqueios de contas e apreensão de vasto material como documentos e computadores dos suspeitos. O prejuízo estimado gira em torno de R$ 4 milhões repassado a empresa com o golpe.

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As denúncias começaram a aparecer em fevereiro para a Polícia Civil do Paraná. As vítimas relatavam que pagavam carnês ou até mesmo usavam cartões de crédito e não obtinham o retorno da agência, que sem motivos cancelavam a viagem. “Recebemos que o golpe estava sendo replicado por Paulo Cesar Zardo, que consistia em vender pacotes de viagens com empresas de fachadas para a Terra Santa. Eles visitavam algumas Igrejas cristãs e evangélicas e se aproximavam das autoridades religiosas da comunidade. O pacote realmente era bem abaixo do que é aplicado, mas por atingir grandes grupos, as pessoas só sentiram que seriam prejudicadas próximo ao embarque”, disse o Delegado André Gustavo Feltes, da delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon).

Pastores com carteirinha

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A quadrilha usava alguns recursos para enganar os fiéis e aumentar a quantidade de pessoas que comprariam o pacote turístico. Em alguns casos, mostravam até uma carteira que identifica a pessoa como pastora. “Eles usavam algumas estratégias que davam a entender que o negócio era sério e transparente. Carros oficiais, marketing em veículos de comunicação e até documentos. O objetivo dele era entrar até em sindicato para angariar mais vítimas”, relatou Feltes.

Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Prejuízo emocional

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Além do gasto financeiro, as vítimas tiveram um prejuízo emocional ao perder a oportunidade de conhecer novos países e se tratando da Terra Santa, a chance de estar em lugares do turismo religioso como Jerusalém. “Tem casos de pessoas idosas que pagavam o carnê todo mês e sonhavam com a viagem. Talvez para alguns fosse à última tentativa de realizar este desejo”, afirmou o Delegado da Delcon.

Defesa do principal acusado

O principal acusado de aplicar o golpe é Paulo Cesar Sardo. Segundo Sandra Cavalcanti, advogada do homem que está detido na operação, os clientes não tem culpa de reclamar. “Está tendo um julgamento público antecipado, pois os fatos que estão sendo divulgados não são verdadeiros. Ele trabalha normalmente e todos os pacotes foram cumpridos. O grande problema foi com a empresa aérea Avianca que cancelou muitos voos. Foi um efeito cascata e a Shalon entrou em concordata. A Polícia apreendeu os computadores e vai verificar que a empresa está operando normalmente até abril e cumpriu as obrigações com os clientes”.

Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Semelhante

O caso deflagrado nesta quarta-feira pela Polícia Civil lembra o caso da Interlaken, que teria lesado muitos clientes com um golpe que chegou aos R$ 2 milhões.