“Se ele ficar preso um dia, já valeu”, disse a deputada federal Christiane Yared, ao saber do mandado de prisão preventiva expedida contra o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli filho, na tarde desta sexta-feira (24). O ex-político matou, num acidente de trânsito em 2009, Gilmar Rafael Souza Yared, filho de Christiane, e o amigo dele, Carlos Murilo de Almeida. Carli Filho dirigia em altíssima velocidade e embriagado, após um jantar com amigos regado a muito vinho.

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O mandado foi expedido pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, para dar imediato cumprimento à condenação de Carli Filho. Em fevereiro do ano passado ele foi submetido a júri popular, no qual foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por duplo homicídio com dolo eventual. Mas ganhou o direito de recorrer da pena em liberdade.

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Os advogados de Carli Filho entraram com recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). A apelação foi analisada pelos desembargadores da Primeira Câmara Criminal do TJ-PR em dezembro do ano passado. Mas como eles não entraram num consenso sobre a questão, suspenderam o julgamento para retomá-lo em fevereiro deste ano. Nesta retomada, decidiram por reduzir a pena para 7 anos, 4 meses e 20 dias em regime semiaberto.

O advogado Elias Mattar Assad, que representa a família Yared, divulgou nota no final da noite. “Na condição de Assistente da Acusação, pela família Yared, esclarecemos que o rumoroso processo chega ao final, com reconhecimento da tese de duplo homicídio com dolo eventual, na condução de veículo, sustentada desde o início por nós, que trabalhamos na acusação. É chegado o momento do cumprimento da pena e foi expedido o mandado de prisão. A prisão e restrições da liberdade, bem como a forma de regime de cumprimento de pena, serão tratados pelo Juízo da Execução Penal. Que se cumpra a lei. A pena imposta nada mais é que um mal justo, por um mal injusto.
Agora a família Yared aguarda a sentença da ação indenizatória”, diz a nota.

Mas ele vai pra cadeia?

Com esta decisão dos desembargadores, que optaram pelo regime semiaberto, e apesar da comoção da sociedade e vontade da família, pode ser que Carli Filho não passe uma noite sequer na cadeia. Por conta da superlotação nos presídios, o ex-deputado poderá cumprir sua pena usando apenas uma tornozeleira eletrônica.

Famílias

“É um momento em que nós agradecemos a Justiça do Paraná, porque indiferente da condição dele, rico ou pobre, milionário, a leitura é essa: se bebeu, dirigiu e matou, você irá preso. Precisa haver Justiça condizente com a legislação. A Justiça precisa fazer com que as leis sejam cumpridas. Vamos aguardar o próximo passo, que a prisão preventiva cumpra-se agora”, disse a deputada federal Christiane Yared, mãe de Gilmar, à Tribuna do Paraná na noite desta sexta-feira.

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“Na verdade, é uma luta tão grande, tantos anos, 10 anos, só queremos que a Justiça se cumpra. A gente sabe que os advogados vão trabalhar rapidamente para que ele não fique, mas se ele ficar preso um dia, já valeu. Porque já fica a leitura de que não fica imune a isso. Essas tragédias, assassinatos, assassinos do trânsito no Brasil, vão responder à sociedade. Não é uma vitória, mas a certeza que as famílias terão na Justiça a esperança de que assassinos de seus filhos serão presos e punidos, que é o que todo mundo espera”, concluiu Christiane.

Foto de hoje do local onde ocorreu há dez anos o acidente fatal que pode levar Carli Filho para a cadeia. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná
Foto de hoje do local onde ocorreu há dez anos o acidente fatal que pode levar Carli Filho para a cadeia. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná

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