Depois de cinco anos, a doceira Margareth Aparecida Marcondes – acusada de enviar uma caixa de brigadeiros envenenados a uma adolescente em 2012 – vai a júri popular na próxima segunda-feira (7). O julgamento acontece no 1.º Tribunal do Júri de Curitiba, no Centro Cívico , a partir das 13h, e será aberto ao público.

O crime foi registrado na tarde do dia 12 de março de 2012, quando um taxista entregou os doces na casa da família da menina, no bairro Umbará. A adolescente ficou internada por oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Clínicas (HC) e outros três adolescentes entre 13 e 17 anos, que experimentaram os bombons, também foram atendidos.

Margareth foi identificada pela polícia nas imagens do circuito de segurança de um shopping de Curitiba, onde foi vista deixando a caixa de brigadeiros com um taxista, no bairro Capão Raso. Os policiais a prenderam na madrugada do dia 31 enquanto dormia em seu carro na praia de Barra Velha, em Santa Catarina.

Durante as investigações, a empresária chegou a confessar o crime à Divisão de Investigações Criminais (DIC) de Joinville. No entanto, o advogado de defesa Luiz Cláudio Falarz afirma que a cliente estava fora de si na fase do inquérito policial, e que não há provas contundentes a respeito dos fatos. “Quando ela soube do que havia acontecido com a menina, ficou praticamente dez dias sem dormir. Ela afirma que mandou doces pelo taxista porque sempre enviava amostras, mas que não envenenou nada”, justifica.

Segundo ele, a doceira estava acostumada a preparar quitutes para eventos de toda a família e não teria motivo para praticar o crime. Por isso, Margareth negou sua participação na tentativa de homicídio durante toda a instrução penal – quando são produzidas provas para o julgamento final do processo. “Nessa fase, são respeitados os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”. Como a empresária garante que não teve participação nos fatos, o advogado acredita que ela será absolvida. “Também vamos apresentar ao júri um novo suspeito”, adianta.

Condenada

Dez dias após o envio dos bombons envenenados em 2012, a história envolvendo a doceira ficou ainda mais complexa, pois seu ex-marido Nercival Cenedezi, na época com 49 anos, foi encontrado pela polícia de Joinville com sinais de espancamento, dentro de casa. Os ferimentos eram principalmente na região da cabeça, havia sinais de luta corporal e marcas de sangue por toda a residência. O homem foi internado e sobreviveu.

Margareth foi condenada em 2014 pela tentativa de homicídio qualificado contra o ex-companheiro. Sua pena foi de 10 anos e 8 meses de reclusão, e ela chegou a cumprir parte da condenação em regime fechado. Desde o início deste ano, entretanto, a mulher passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica, em regime semiaberto.