A busca por soluções para a segurança no Centro de Curitiba reuniu representantes do setor produtivo, forças de segurança e poder público em um encontro promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP). A proposta foi colocar na mesma mesa quem vive o problema no dia a dia e quem atua diretamente nas políticas públicas, em uma tentativa de transformar queixas recorrentes em ações concretas.
Entre os principais pontos levantados pelos empresários estão furtos, assaltos, dificuldades no deslocamento de funcionários e a presença constante de pessoas em situação de rua em frente aos estabelecimentos. O presidente da ACP, Paulo Mourão, afirmou que a entidade tem recebido relatos frequentes desse tipo de situação. Segundo ele, a ideia é estruturar um grupo de trabalho permanente, com reuniões mensais, para acompanhar os problemas e cobrar soluções.
“É um problema que não é só de Curitiba, mas que hoje impacta diretamente o comércio. A gente precisa organizar a sociedade produtiva junto com o poder público para ter respostas mais rápidas e mais claras”, disse.
No setor de bares e restaurantes, os reflexos da insegurança aparecem principalmente fora do horário comercial. O coordenador da Câmara Setorial da ACP, Délio Canabrava, relatou dificuldades enfrentadas por trabalhadores e clientes. “Tem funcionário que sai de madrugada e não tem transporte, ou que chega cedo e acaba sendo assaltado. Sem contar clientes que têm o carro arrombado. Não é o pior cenário do país, mas Curitiba pode melhorar”, afirmou.
Segurança no Centro: desafios vão além da polícia
Um dos temas centrais do encontro foi a relação entre segurança e população em situação de rua. Para o presidente da Fundação de Ação Social, Renan de Oliveira Rodrigues, o problema é multifatorial e exige integração entre diferentes áreas. “Não é só assistência social. Envolve dependência química, saúde, emprego e moradia. A gente trabalha para atender, mas também para promover a autonomia dessas pessoas”, explicou.
Segundo ele, o município tem ampliado o atendimento e investido em encaminhamentos para tratamento, inclusive com vagas em comunidades terapêuticas. Ainda assim, reconheceu que há limites legais e estruturais. “Tem situações em que a equipe vai até o local, faz a abordagem, mas a pessoa não aceita ajuda. Isso é um desafio diário”, disse.
O promotor de Justiça Régis Rogério Sartori afirmou que o Ministério Público deve participar das discussões para buscar soluções possíveis dentro da legislação. “O problema é complexo, mas a ideia é estar próximo da sociedade e contribuir na construção de alternativas”, declarou.
Representando a Polícia Militar do Paraná, o coronel Costa destacou que a atuação policial esbarra em limites legais. “A polícia faz prevenção e repressão, mas não pode simplesmente retirar alguém da rua. A lei garante esse direito, então muitas vezes o caminho é o convencimento”, explicou. Ele também reforçou que parte dos problemas está relacionada ao uso de drogas e a questões de saúde mental.
Já o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Rafael Vianna, afirmou que a situação não é exclusiva da capital paranaense. “É um problema mundial. A gente precisa buscar soluções que funcionem no curto prazo, mas que também sejam sustentáveis dentro da lei”, disse. Ele citou as ações integradas realizadas pela prefeitura, que envolvem diferentes órgãos ao longo do dia, mas reconheceu que não há solução imediata.
Ao fim do encontro, a principal proposta foi a criação de um grupo permanente para discutir a segurança no Centro e acompanhar de perto os desdobramentos das medidas adotadas. Para Mourão, o caminho passa pela articulação entre todos os setores. “A criminalidade aposta na desorganização da sociedade. Se a gente trabalhar de forma organizada, com foco e objetivo, a gente vai vencer essa batalha”, concluiu.



