A Petrobras não paralisou totalmente os investimentos na Bolívia. Embora qualquer plano para novos projetos esteja suspenso, a estatal brasileira tem injetado recursos naquele país necessários para garantir o abastecimento de gás natural ao Brasil, segundo afirmou nesta terça-feira (12) o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, após participar de reunião com representantes do governo do Uruguai na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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"Os investimentos de reposição têm sido feitos para evitar problemas no suprimento de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás destinados, sobretudo, à indústria paulista", afirmou o ministro. "Nosso cuidado é garantir a entrega do gás ao Brasil", complementou ele.

Recentemente o presidente da Petrobras na Bolívia, José Fernando de Freitas, afirmou que a produção de gás na Bolívia não permite ao país cumprir sequer seus contratos vigentes com Brasil e Argentina, menos ainda fazer acordos futuros. Segundo ele, a capacidade de produção estaria limitada pela redução de investimentos estrangeiros após a nacionalização das reservas de gás e petróleo decretada em maio. "Se todos os seus mercados pedissem os volumes máximos, e estamos perto disso, a Bolívia não teria capacidade de entregá-los", disse Freitas ao jornal boliviano La Razón.

Novos projetos

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Rondeau afirmou que, por decisão de governo, a "Petrobras não deixará isso acontecer e fará os investimentos necessários para abastecer a demanda brasileira". Quanto aos investimentos em novos projetos, Rondeau disse que não falou exatamente que o Brasil vai continuar injetando recursos na Bolívia. "O que eu afirmei foi que não estamos fechados, quem vai definir essa questão é a Bolívia, foram eles que fecharam as portas. Nós estamos esperando", afirmou ele.

Na próxima sexta-feira, o ministro viaja para La Paz, onde se reunirá com quatro ministros bolivianos com o objetivo de retomar as negociações dos três grupos de trabalho criados no dia 10 de maio, como resultado de uma reunião de cúpula realizada na ocasião. "Não sabemos por que o governo boliviano paralisou as negociações, mas agora vamos retomá-las", disse o ministro.

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Esses grupos discutem questões relacionadas à operação, como a propriedade dos poços, transporte e refino. Quanto ao reajuste de preço do gás natural reivindicado pelo governo boliviano, as negociações aconteceram separadamente, mas também foram paralisadas. Segundo Rondeau, a intenção é retomar todas as discussões, mas este tema continuará sendo tratado separadamente. Não descartou, no entanto, a possibilidade de serem criados mais um ou dois grupos para incluir novos itens de negociação. "O importante é que as conversas sejam retomadas", afirmou, lembrando que o prazo de 180 dias vence dia 25 de outubro e até agora não se chegou a nenhum consenso.