O elevado índice de informalidade da economia brasileira é um problema para o sistema previdenciário tão grave quando as mudanças etárias em curso no País, segundo avaliam especialistas que participaram nesta sexta-feira (13) de seminário no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A especialista Ana Amélia Camarano, do Ipea, sublinhou que, em 2005, entre os homens na faixa etária de 40 a 60 anos, 85,5% faziam parte da População Economicamente Ativa (PEA) e, desse total, apenas 45,5% contribuíam para a Previdência Social.

"Me parece que a informalização tem um impacto mais negativo na equação previdenciária que a mudança demográfica", disse. Para ela, é difícil acreditar que as maneiras tradicionais de financiar a Seguridade Social serão suficientes para lidar com a população idosa do País no futuro, "dada a alta informalidade da economia brasileira".

O diretor do centro de políticas sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Néri, disse que um estudo do Banco Mundial mostra que 39% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é informal, enquanto na Suíça o porcentual é de 8,8% e, na Bolívia de 67%.

Néri mostrou dados da Pesquisa da Economia Informal e Urbana, do IBGE, que revelaram que apenas 23,8% dos trabalhadores por conta própria ou dos empregadores com até cinco empregados contribuem para a Previdência. Entre os que não contribuem, segundo Néri, a maior parte avalia que "a conta não vale a pena", já que o custo é elevado e a remuneração final não vale o custo.

As avaliações de Néri e Camarano sobre informalidade e Previdência Social estão incluídas em artigos no livro "Previdência no Brasil – debates, dilemas e escolhas", editado pelo Ipea e lançado hoje pela instituição no Rio, com o objetivo de contribuir para os debates em torno do tema previdenciário no País.