O setor público construiu mais em 2004 na comparação com 2003. De acordo com levantamento divulgado hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do valor total de construções realizadas em 2004 (R$ 94 bilhões), R$ 40,8 bilhões vieram de obras contratadas por entidades públicas. Houve um crescimento de 21,4% em relação a 2003.

O chefe da coordenação da indústria do IBGE, Silvio Salles, acredita que a expansão das obras contratadas pelo serviço público em 2004 pode ser explicada, em parte, pelo recuo que havia sido verificado no ano anterior.

"A base de comparação era muito baixa. As obras realizadas pelo setor público tinham perdido espaço considerável em 2003. Esse foi o primeiro ano de governo – do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – e houve um aperto monetário considerável para controlar a inflação", afirma Salles.

De acordo com ele, em movimento inverso, o ano de 2004 contou com eleições municipais, que contribuíram para a contratação de obras associadas principalmente às prefeituras, como construção de praças, ruas e pavimentação. "O momento eleitoral sempre traz impactos positivos à economia", diz o coordenador do IBGE.

A pesquisa do instituto mostra que, em geral, nos contratos com os setores público e privado, as empresas de construção conseguiram aumentar em 12,2% o valor total das obras e os serviços executados em 2004, na comparação com o ano anterior.

As obras de infra-estrutura foram as que mais contribuíram para o crescimento, registrando 35,2% de participação no valor total da construção. No ano anterior, a contribuição do grupo havia sido de 32,5%.

Segundo o IBGE, tiveram destaque no grupo infra-estrutura a construção de rodovias e ruas, praças, calçadas e estacionamentos, que elevaram suas participações de 10,4% para 11,7% e de 2,8 para 3,4%, respectivamente.

Na realização de obras em ruas, praças, calçadas ou estacionamento, as pequenas empresas ficaram responsáveis, em 2003, por 42,6% do valor, enquanto as médias ficaram com 36,8% e as grandes com apenas 20,6%. No ano seguinte, as pequenas e médias perderam mercado para as grandes e participaram com 36,9% e 31,6% respectivamente. As grandes foram responsáveis por 31,5% do valor das construções.

A participação das grandes empresas é destacada no caso dos produtos que exigem maior escala e que envolvem custos e prazos elevados, como usinas, estações e subestações hidroelétricas, termelétricas e nucleares (79,6% em 2004) e oleodutos, gasodutos e minerodutos (66,4%).

O grupo obras residenciais, segundo em importância em 2004, apresentou aumento de 20% no seu valor, puxado por edificações residenciais, que subiu de 82,3% para 87,8%. O grupo edificações industriais ficou com a terceira maior participação, passando de 10,7% no total do setor de construções, em 2003, para 11,8% em 2004.