Salvador (AE) – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse hoje, em Salvador, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "encurtou", pois, por causa da crise política, o tema da eleição presidencial "acabou crescendo". "Na realidade, você tem um governo que não funciona, de baixa eficiência", avaliou, logo após participar de um café com empresários, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
Conforme Alckmin, se um governante não faz as escolhas certas, as conseqüências são desastrosas para a população. "É como na casa da gente: temos um monte de sonhos, de demandas, mas não tem dinheiro para tudo, então, é preciso ter cuidado com que gastar o dinheiro", comparou, assinalando a necessidade de ser austero, levando a cabo a corrupção, e eficiente. "Não existe governo ético, se ele não é eficiente e, por isso, é preciso escolher bem (a aplicação dos recursos), pois o dinheiro não é elástico, não dá para tudo; então, é preciso priorizar tudo que possa gerar emprego e renda para as pessoas, além da área social", disse, com discurso de candidato de presidente, embora tenha repetido que ainda é cedo para tratar do assunto.
Reprovando as tentativas no Congresso de mudança nas "regras do jogo" das eleições de 2006, Alckmin afirmou só apoiar modificações na lei visando diminuir custos de campanha. "Reforma política, mesmo, com fidelidade partidária, com cláusula de desempenho mais severa para não se ter tantos partidos, voto distrital ou distrital misto, enfim, pode-se fazer muita coisa para fortalecer os partidos e a qualidade na vida política brasileira, mas só na próxima legislatura", disse. Mesmo a queda da verticalização (que obriga os partidos a manter as mesmas alianças nacionais nos Estados e cidades), ele é contra por entender que enfraqueceria as legendas.
Alckmin mostrou-se escorregadio quando indagado sobre a eventual candidatura a presidente, mas informou que as negociações com o PFL para uma aliança em 2006 são bem-vindas. "Sempre defendi alianças nos níveis federal, estadual e municipal; agora, você só se pode fazer alianças no primeiro turno quando um (partido) não tem candidato", afirmou com cautela, em relação à adesão pública dada pelo prefeito do Rio, César Maia (PFL), à suposta candidatura. "Em São Paulo, meu vice é do PFL, o professor Cláudio Lembo, que é um excelente companheiro", disse. Mais um passo em direção dos pefelistas foi dado pelo governador de São Paulo, na capital baiana, hoje, ao assinar com o governador Paulo Souto (PFL) um acordo de cooperação na área de educação entre os dois governos de Estados. Antes disso, Alckmin conseguiu reunir na Fieb inimigos políticos, aparentemente, irreconciliáveis na Bahia, como deputados do PSDB e do PFL. Como a fazer a "ponte" entre os dois grupos adversários, estava também presente no evento o ex-prefeito do município Antônio Imbassahy que deixou o PFL, onde estava há décadas, para se filiar ao PSDB, recentemente. Imbassahy ainda mantém um bom diálogo com integrantes do PFL baiano.
Sobre o acordo que prevê a compensação para os Estados exportadores de recursos da ordem de R$ 900 milhões em função das perdas da Lei Kandir, o governador esclareceu que o acerto está previsto no Orçamento do governo federal de 2005 e que, por essa razão, não há por que duvidar da liberação pela administração federal. Como essa autorização está atrasada, os governadores iniciaram um movimento para pressionar o Poder Executivo federal. Na semana passada, Alckmin e colegas discutiram o assunto com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "A conversa com o Palocci foi boa e esperamos que isso seja resolvido, rapidamente", observou, confiando não ser necessário que os governos estaduais retaliem o Executivo federal. "Vamos acreditar que resolvam de forma positiva."