O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, negou nesta sexta-feira (13) que o atual patamar do câmbio esteja prejudicando a competitividade das indústrias do setor automotivo. Segundo ele, o problema da indústria está relacionado à competitividade e, no passado, quando o real estava mais desvalorizado, o câmbio acabava compensando as ineficiências das empresas e do País.

"Não adianta reclamar do câmbio, pois ele é resultado das melhorias macroeconômicas do País. Nossos problemas estão relacionados à competitividade", afirmou, após participar de seminário promovido pela Petrobras, em São Bernardo do Campo, sobre os impactos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) na competitividade da indústria petroquímica do ABC.

Golfarb deu essa resposta, após ser questionado sobre se a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que as associações industriais reclamam do câmbio, mas as empresas associadas batem recorde de produção e exportação, teria sido direcionada ao setor automobilístico.

Como exemplo, o presidente da Anfavea citou especificamente que o real desvalorizado compensava, por exemplo, o não recebimento dos créditos de ICMS aos exportadores, previstos pela Lei Kandir. "O ICMS é uma questão bastante complicada, pois envolve o Governo Federal e os estaduais. Mas estamos procurando fórmulas para resolver essa questão, afinal a reforma fiscal é um tema muito grande", informou.

Segundo ele, embora a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) tenha sido reduzida ao longo dos últimos anos, o que permitiu crédito mais barato às montadoras por meio do BNDES, os juros brasileiros continuam mais altos que os da China e os da Coréia do Sul.

Outra questão citada por Golfarb, durante sua palestra e em entrevista à Agência Estado, foram os problemas de logística e transportes no País. Ele destacou que, embora a indústria automotiva não tenha sido contemplada nas medidas do PAC, ela será beneficiada indiretamente e de forma concreta pelas investimentos em rodovias, ferrovias e portos brasileiros.

"Os projetos na área de transportes vão resgatar as vantagens logísticas do ABC e a região receberá um novo impulso, após a descentralização do setor, desde 1997", declarou, citando especificamente as obras do Rodoanel, Ferroanel e o Porto de Santos, com obras tanto na via de acesso quanto no calado. "O PAC vai ao encontro destas questões, mas devo destacar que o tempo de execução dessas medidas é fundamental para a vida competitiva do País", ressaltou.

O executivo destacou, ainda, que as empresas têm trabalhado para obter ganhos de qualidade, produtividade e escala, e ainda que as exportações tenham caído, o mercado interno tem apresentado crescimento. "O crescimento nas vendas de automóveis que obtivemos no primeiro trimestre traz muito otimismo para a indústria", disse, ressaltando que os juros mais baixos e a ampliação de acesso ao crédito permitiram que o setor revisasse sua expectativa de crescimento de produção para 2007, de 7,7% para 14,5%.