Depois de 87 anos, a sede do Bauru Atlético Clube, o Baquinho, onde Pelé fez suas primeiras jogadas no futebol, antes de se consagrar mundialmente no Santos e na seleção, começou a ser demolida há três dias. O imóvel foi vendido em junho por R$ 4 milhões ao Grupo Tauste, de Marília, que pretende construir um hipermercado no local.

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A demolição começou pelo ginásio do clube e se estende, aos poucos, para as áreas de alvenaria. Os compradores doaram a estrutura metálica da quadra poliesportiva para a Apae da cidade e o próprio clube recolheu luminárias e outras peças que restaram do imóvel para instalar na sede de campo, na margem da rodovia SP-294 (Bauru-Marília), que, a partir de agora, será utilizada como sede social.

Ontem, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural do Município (Codepac) entrou no caso, propondo uma solução para evitar totalmente a demolição da sede do clube onde o maior jogador de futebol de todos os tempos começou. Em vez de tombar o imóvel, o órgão vai propor ao grupo comprador que reserve um espaço para instalar um memorial a Pelé e ao Bauru Atlético Clube. O Codepac vai pedir ainda aos compradores que mantenha no novo prédio e no uniforme dos funcionários as cores azul e branco que caracterizaram o clube. "Já mantivemos um primeiro contato com os empresários e ainda neste mês faremos uma reunião de trabalho", disse o diretor do Codepac, Henrique Perazzi de Aquino.

A venda da sede do Bauru foi realizada pelo Conselho Deliberativo, que se encontrava fechado há um ano e meio por causa da crise econômico-administrativa que o tornou inviável, e está recebendo contestação judicial do sócio e ex-presidente Arlindo Marques Figueiredo, que é contrário à solução dada e pede a anulação da escritura.

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A diretoria promete, para os próximos dias, uma prestação pública de contas e de como e quando colocará em funcionamento a sede de campo.

O clube há muito deixou o futebol. No início dos anos 70 licenciou-se da então 2ª Divisão da Federação Paulista e não retornou. O próprio campo de futebol foi ocupado parcialmente pelo conjunto de piscinas construídos em frente à arquibancada. Nos últimos anos, restava apenas uma parte do gramado onde o Rei começou a jogar. Desde a primeira tentativa de venda, há seis anos, a diretoria enfrentou a oposição dos sócios mais antigos pela preservação do local.

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