A cúpula da Segurança Pública do RJ reagiu hoje à greve de 48 horas dos policiais civis com ameaças de punição. Na 5ª DP, que fica ao lado da Chefia de Polícia, no Rio o delegado titular, Claide Ribeiro, foi acusado de "prender" servidores que usavam coletes com a inscrição "em greve". "Houve crime de abuso de autoridade, cárcere privado e cerceamento da liberdade de ir e vir. Sete policiais foram presos e a delegacia um local público, trancada", afirmou Cláudio José Corrêa, do Sindicato dos Policiais Civis.

O delegado negou a prisão, mas admitiu que fechou a porta. "É mentira (a prisão). Se alguém fez alguma coisa malfeita, foi o sindicato. Fechei a porta, sim, para evitar que eles entrassem, porque estavam tumultuando o trabalho."

Punição

O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, afirmou que a adesão à greve foi pequena. "Nossa categoria presta um serviço essencial e não temos direito à greve. Aqueles que não trabalharem serão punidos disciplinarmente." Ele, no entanto, disse que parte da reivindicação dos policiais é justa. "Houve uma violação da hierarquia e o investigador passou a ganhar mais que o inspetor, que é seu superior hierárquico. A distorção ocorreu em 2001, na implantação do plano de carreiras, e atingiu cerca de 4 mil dos 11 mil policiais. É como se o sargento ganhasse mais do que o tenente. Vou ao Palácio levar algumas sugestões e alternativas às exigências da categoria."

Segundo o secretário da Segurança do RJ, Marcelo Itagiba "não há caixa" para reajuste. "O Estado já deu aumento de 17% no ano passado a todos os policiais, de acordo com suas possibilidades."

Adesão

De acordo com o sindicato, todas as delegacias da capital fluminense aderiram à greve. Inspetores, investigadores e oficiais de cartório registravam, na presença do delegado de plantão, apenas os casos que eles consideravam mais graves.

"A lei manda que seja mantido 30% do serviço. É o que estamos fazendo", disse um grevista. O sindicato alegou que eventuais punições só poderão ocorrer após o julgamento da greve pela Justiça do Trabalho. Os policiais querem reajuste de "pelo menos 50%".

Espírito Santo

No Espírito Santo, a PM manteve a "operação padrão" "Quem não tem armamento adequado para trabalhar, pelo menos os coletes e a arma, não pode ir para as ruas. O militar vai ficar dentro do quartel até que seja providenciado o equipamento adequado", informou a Associação dos Cabos e Soldados.

Está prevista para esta terça-feira uma reunião de sindicalistas com a chefia da PM e o governo do Estado. Os PMs reivindicam salários equivalentes aos dos policiais civis.