Acidentes de trânsito são os principais responsáveis externos pela morte de crianças com idade entre um e 14 anos, no Brasil. No primeiro semestre de 2005, foram registrados 17.473 acidentes de trânsito no Paraná. Do total de vitimas, 1.626 eram crianças de até 12 anos, sendo que 50 foram vítimas fatais, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran). No Brasil, mais de 2.000 crianças e adolescentes morrem anualmente em acidentes de carro e cerca de 38 mil sofrem lesões. Os números têm preocupado a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) que, com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde, pretende intensificar a campanha ?Criança Protegida?, iniciada no fim de 2005.

?Toda ação preventiva é de suma importância. Da mesma forma nos preocupamos com a promoção de trabalhos educativos que nos possibilitarão canalizar o investimento em ações inéditas, que beneficiem cada vez mais a saúde da população paranaense?, avalia o secretário da Saúde, Cláudio Xavier.

A campanha visa conscientizar a sociedade de que é possível reduzir, no mínimo, em 70% o índice de acidentes, com o transporte adequado de crianças, com o uso de cadeirinhas de segurança, tipo bebê conforto, para bebês de até um ano de idade. Para o coordenador da Comissão de Campanha da SBOT, Edilson Forlin, há falsas idéias que precisam ser desmistificadas, como a questão financeira. ?Uma delas é a de que proteções para veículos são caras. Uma cadeirinha custa o mesmo que um aparelho de CD. Outra desculpa é a de que a criança não quer usar os equipamentos de segurança, mas cabe aos pais a disciplina?. A taxa de uso de equipamentos de proteção na Europa é de 85%, enquanto que no Brasil ela cai para 10%.

A divulgação da campanha está sendo feita por meio de palestras, distribuição de fôlderes e cartazes. A SBOT, junto com a Sociedade Brasileira de Ortopedia Infantil, está fazendo um levantamento em hospitais das principais capitais brasileiras, sobre o quadro de acidentes com crianças. Para Forlin, o importante é uma análise qualitativa. ?Precisamos de informações detalhadas. Há situações em que o impacto da seqüela é enorme?, diz. Nos casos de lesões, o especialista explica que o custo médico, emocional, psicológico e social para os pacientes, suas famílias e toda a sociedade pode ser irreversível.

Uma criança tetraplégica, por exemplo, além de todo o sofrimento que enfrenta, gera um custo financeiro que pode chegar a R$ 4 milhões, vivendo até os 60 anos. ?A incidência de crianças feridas no trânsito é alta. Prevenir é muito simples, o problema é que as pessoas não seguem as normas e não têm noção das conseqüências?, diz o coordenador da campanha. A maioria dos acidentes de trânsito envolvendo crianças ocorre em trajetos curtos, como de casa para a escola. Os pais acabam liberando o uso do cinto por considerarem que o trajeto não oferece risco. ?Os pais são responsáveis em proteger seus filhos no automóvel. E este é o principal objetivo da campanha Criança Protegida no Carro?, conclui.