Brasília – A falta de chuvas que atinge a região Sul do país deixou 195 municípios de Santa Catarina em situação de emergência. De acordo com a Defesa Civil estadual, a região oeste do estado foi a mais prejudicada pela estiagem. Faltou água para a agricultura, a pecuária e, em alguns municípios, até para o consumo humano.

Um relatório recente do Centro de Estudos de Safras e Mercados da Secretaria de Estado da Agricultura aponta que a produção de grãos e de leite já foi prejudicada. O técnico agrícola do centro, Simão Brugnago, disse que a expectativa de produção de milho diminuiu 25%, a de soja, 15% e a de feijão, 21% para todo o ano de 2006. Segundo ele, a perda em dinheiro gira em torno de R$ 372 milhões de reais.

Em relação ao leite, Brugnago explicou que os dados não são precisos porque a seca prejudica a produção mesmo depois que as chuvas voltam a cair. Ele estima que os pecuaristas tenham perdido cerca de 76 milhões de litros de leite.

Ele lembra que o estado sofre com a estiagem desde novembro de 2005, e que agora a situação está se normalizando porque a chuva voltou à região. ?As chuvas que caíram nos últimos dias contribuíram com a boa umidade do solo. Elas têm mantido os pastos e as culturas de inverno, como a de trigo, relativamente boas. Em termos de grãos, o momento é confortável?.

No entanto, Brugnago ressalta que a falta de água não deixou de ser um problema. ?Não tem havido chuvas suficientes para repor os mananciais. Existem municípios que continuam com problemas de abastecimento decorrentes dessa seca e das anteriores, já que os mananciais ainda não se recuperaram?.

O agricultor Ângelo Grando, que planta milho no município de Chapecó, perdeu 90% de sua produção em decorrência da seca. ?Não temos irrigação, dependemos da água da chuva?. Dos R$ 40 mil que aplicou na cultura, só recuperou R$ 12 mil. Segundo ele, o preço da saca de milho que caiu em relação ao ano passado também colaborou com o prejuízo dos agricultores.

O gerente de Levantamento de Safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eledon Oliveira, afirmou que técnicos foram enviados às regiões afetadas pela seca para contabilizar o perda da produção de grãos. Segundo ele, um relatório da pesquisa será divulgado no dia 10 de agosto.