O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Jaques Wagner, criticou hoje o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, afirmando que o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), teria feito prejulgamentos, ao pedir, por exemplo, o indiciamento do chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Luís Gushiken, e do ex-deputado José Dirceu (PT-SP), endossando as críticas feitas pela bancada do PT no Congresso.

"Acho importante que o relatório fale sobre o que as investigações mostraram e relate as ações e depoimentos. "Se faz ilação, a peça fica contaminada", disse. Segundo Wagner, ao caracterizar Gushiken, Serraglio considerou que ele praticou crime de corrupção, o que seria um julgamento.

"A conclusão sobre se cometeu corrupção ativa ou passiva compete ao Ministério Público (MP) e não à CPI", afirmou o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, que esteve com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o novo chefe da pasta, Tarso Genro.

Em relação a Dirceu, Wagner ressaltou também que o relator da CPI dos Correios foi precipitado ao pedir o indiciamento por corrupção ativa. "O prejulgamento é precipitado " O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência e Genro não quiseram comentar a decisão da bancada do PT de apresentar um parecer paralelo na terça-feira (04).

"O governo acompanha com interesse, mas a forma de encaminhar é da base, que tem autonomia para decidir", completou Wagner. Cauteloso, o novo chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República preferiu não opinar. "Não vou fazer juízo de valor."