O segundo escalão do Ministério da Saúde, disputado com ardor por aliados do governo, começou a ser preenchido ontem. O ex-ministro Agenor Souza foi indicado pelo governo para o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e agora terá de ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado para poder assumir o posto, desocupado há cinco meses

Funcionário do ministério há anos, Agenor foi alçado a secretário-executivo quando o PMDB, com Saraiva Felipe, tomou posse do ministério. Depois da saída de Saraiva, Agenor assumiu o cargo. Mas por muito tempo disse ser apenas ?ministro interino?. Na Anvisa, outro cargo de diretor continua vago, aguardando também uma indicação do governo. A longa espera não é inédita. No primeiro ano da gestão Lula, cargos na diretoria da agência demoraram a ser ocupados por conta da negociação política. A demora não passou despercebida e logo veio uma enxurrada de críticas em razão do uso dos cargos da agência para abrigar apadrinhados políticos

A mesma crítica foi feita com relação à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) – não apenas na coordenação central, mas nos postos espalhados pelo País. Com a chegada do PMDB à Saúde, a Funasa foi assumida por Paulo Lustosa, que nunca escondeu a preferência pela Anatel. Mas o PMDB não quer perder o controle da Funasa. Certo de que isso não irá acontecer, o PMDB dedicou R$ 69 milhões em emendas ao Orçamento da União para a fundação. Vários nomes estão no páreo, como o segundo homem de Lustosa. Embora tenha muitos aliados no Congresso, sobretudo do Norte e Nordeste, a indicação de Francisco Danilo Forte é vista com temor por comunidades indígenas, que associam sua imagem a uma série de problemas. Outro nome do PMDB é Oscar Berro, secretário de Duque de Caxias. A bancada goiana também já sugeriu o ex-senador Maguito Vilela.