Faltavam 20 minutos para a aeronave da Alitalia pousar em Roma – vinda de São Paulo – quando os assessores do papa Bento XVI chamaram os jornalistas brasileiros que acompanhavam o pontífice em seu avião, para uma audiência privada. Sentado na primeira classe do Boeing 777 e olhando a vista pela janela, Bento XVI recebeu na segunda-feira, na ala privativa, um por um, por instantes, na poltrona vaga a seu lado.
Confiante e com o sentimento de dever cumprido no Brasil, Bento XVI fez agradecimentos ao povo e à imprensa. ?Agradeço a forma como fui recebido?, disse. Com voz serena, elogiou a juventude brasileira. ?Os jovens são muito importantes no Brasil?, disse, em italiano. O papa reafirmou estar ?feliz? com a viagem e, apesar dos longos dias de atividades e eventos, mostrava-se bem de saúde e até corado pelo sol de Aparecida. Sempre olhando diretamente nos olhos e ensaiando um sorriso, segurava nas mãos das pessoas com que falava.
Momentos depois, o avião pousava em Roma, concluindo assim a viagem mais longa já realizada por Bento XVI em seus dois anos de papado. Após os cinco dias de viagem no Brasil, 12 discursos contundentes e 19,5 mil quilômetros percorridos, Bento XVI agora quer férias.
Suas atividades marcadas para até sexta-feira foram canceladas. Segundo um de seus secretários, o papa quer tempo para descansar e refletir. ?Ele está muito satisfeito e feliz com a viagem. Mas pediu para descansar e ter tempo para pensar sobre sua viagem ao Brasil e sobre o que ouviu e viu?, explicou Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.