O deputado Manoel Isidório Santana (PT), o Sargento Isidório, que usou a tribuna da Assembléia Legislativa da Bahia para protestar contra o exame de toque retal, preventino do câncer de próstata, está preocupado agora em "recuperar" homossexuais que "voluntariamente" queiram voltar para o "time dos machões". O petista elaborou um projeto que cria um serviço na rede médica de apoio psicológico e acolhimento a "gays arrependidos", como ele define.

Contudo, a proposta esbarra na oposição do Partido dos Trabalhadores pois o estatuto da legenda não trata o homossexualismo como doença ou desvio psicológico. "Também estudei o assunto em nível da Constituição e nos direitos individuais não há nada contra as uniões de pessoas do mesmo sexo", comentou Sargento Isidório, fazendo questão de manifestar sua posição, de evangélico, contrária ao casamento gay. "Se homem casa com homem e mulher como mulher, quem vai parir jornalista, trabalhador e deputado?", indaga o parlamentar, constatando que não suportaria ver, por exemplo, um dos seus sete filhos "metido com essas coisas": "Eu vou querer meu filho sentado no colo de um homem me chamando de sogro?", dispara.

Na avaliação do deputado, é possível "reverter" uma opção gay. "Tem ex de tudo: ex-marginal, ex-drogado; eu mesmo sou um ex-drogado e ex-alcoólatra; é claro que é possível alguém ser ex-homossexual, eu mesmo conheço alguns", garantiu.

Sargento Isidório fez questão de frisar que o serviço não obrigaria ninguém a se submeter ao "tratamento". "O cabra que quiser continuar gay, não abrir mão disso, tudo bem. Apenas acho que a rede pública deveria oferecer esse apoio aos que pretendem voltar, procurar uma formalidade bíblica".

Segundo ele, o projeto tem inspiração religiosa pois, para ele, "Deus nunca permitiu o homossexualismo" e por essa razão ele pretende conversar com pastores evangélicos e padres que apoiam a iniciativa para discutir a situação. "Como há esse impedimento do PT, acho que há 90% de possibilidade de eu desistir", revelou.

Já se precavendo de eventuais críticas dos ativistas homossexuais, Sargento Isidório avisa não querer polemizar. "Sei que vão dizer que quero exterminar os gays, mas, ao contrário, não sou um sujeito violento, em 26 anos como policial militar nunca dei tapa em ninguém; quero apenas evitar que a raça humana seja exterminada pois é isso que vai ocorrer se homem casar com homem e mulher com mulher".

A proposta de Sargento Isidório já é conhecida pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a primeira organização do gênero no País considerada de utilidade pública. A entidade entrou com uma representação na direção do PT-BA pedindo que o projeto não vá adiante. "É um acinte, isso não pode ser levado a sério" reagiu hoje (07) o presidente do GGB e vice do PV-Bahia, Marcelo Cerqueira. "Ele deveria apresentar uma proposta para se criar um serviço com objetivo de ajudar fascista a se tornar social-democrata"

O presidente da entidade lembrou também que projeto semelhante apresentado pela bancada do Prona na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro foi derrubado. Para Cerqueira, o deputado está querendo "aparecer", mas falta-lhe assessoria. "Se ele quiser me contrate que eu evito essa proliferação de besteiras que sai do seu gabinete", disse.