São Paulo lista 412 contas usadas pelo crime organizado

Listagem com 412 contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras que movimentam e lavam dinheiro do crime organizado em São Paulo foi entregue pela polícia paulista a representantes do Conselho de Controle de Ativos Financeiros (Coaf) e do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça. Essas contas, segundo o secretário estadual da Segurança Pública, Saulo Abreu, estão no nome de 110 pessoas envolvidas com tráfico de drogas e de armas. A lista contém nome, filiação e foto, além de 982 telefones usados para movimentar contas.

‘Há contas com grande movimentação financeira e também outras com movimento pequeno, abaixo de R$ 100 mil’, explicou Saulo Abreu, que participou ontem de reunião do Gabinete de Gestão Integrada, no Comando Militar do Sudeste.

Os dados foram encaminhados ao Ministério Público Federal.

Na reunião foi decidida a criação de um banco de dados unificado entre os poderes federal e estadual para combater a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O objetivo principal é quebrar o abastecimento financeiro de membros do PCC e estancar a lavagem de dinheiro. Mas, para que as contas sejam bloqueadas, será preciso antes comprovar a participação de seus titulares no esquema do crime organizado. E ainda será necessária autorização judicial para o bloqueio, que não deverá ser feito de modo administrativo.

Saulo Abreu prometeu entregar na próxima reunião do gabinete, dia 30, listagem com nomes de empresas que dariam suporte à lavagem de dinheiro do PCC. Não foi divulgado o valor movimentado nas 412 contas correntes de pessoas físicas. Mas sabe-se que o dinheiro gira também fora de São Paulo. ‘É um esquema muito parecido com o que já foi montado na dita Operação Uruguai’, citou o secretário, que apontou movimentações na Bolsa de Valores, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), loterias, perueiros e gastos em mercados, padarias e postos de gasolina como locais utilizados para lavar o dinheiro ilegal.

‘É preciso cruzar dados, verificar procedências, pois pode haver terceiros que não têm nada com o crime organizado, além dos laranjas. Mas há pressa no bloqueio das contas’, concluiu. Para o Ministério Público, a própria Promotoria pode pedir o bloqueio judicial das contas. Saulo acredita que a ação pode ser de iniciativa federal, e para isso, pediu imediato envolvimento da Justiça Federal e do Ministério Público Federal.

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