Sanepar rebate declarações sobre a qualidade da água no Rio Negro

O diretor de Operações em exercício da Sanepar Domingos Budel afirmou nesta sexta-feira que o diretor de Relações Corporativas da ALL, Pedro Almeida, está equivocado “e sendo inconseqüente” nas suas declarações. “A ALL está tentando amenizar a sua responsabilidade. Para isso, está colocando em xeque a decisão de duas companhias de saneamento que paralisaram a captação da água no Rio Negro”, afirma Domingos.

No período de 14 a 16 deste mês, as empresas responsáveis pelo abastecimento público foram obrigadas a interromper a produção de água tratada para os moradores de Rio Negro e Mafra, porque o rio foi poluído com óleo diesel e vegetal, que era transportado por um trem da ALL e que sofreu acidente em Mafra. A normalização do abastecimento público só ocorreu no dia 18.

Domingos enfatiza que “a Sanepar e a Casan (empresa catarinense que atende Mafra) é que são as especialistas em tratamento de água. Quem não é do setor de saneamento não detém domínio técnico para opinar sobre a decisão tomada pelas duas companhias”.

Pedro Almeida disse que “o corte no abastecimento paranaense foi realizado mais por precaução do que por necessidade”. A declaração é contestada pela diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa.

“Fomos obrigados a paralisar o tratamento da água. Temos provas que o manancial estava contaminado. Até um leigo podia ver o óleo no entorno da nossa captação e que o manancial estava impróprio.Somos uma empresa responsável e jamais colocaríamos em risco a saúde da população. Cumprimos a legislação brasileira e asseguramos que a água do Rio Negro, durante três dias, não esteve dentro dos parâmetros legais de qualidade”. Maria Arlete afirma que a poluição visual do rio foi confirmada pela série de análises que foram realizadas. “A ALL não reconhece o impacto do acidente no manancial e tenta minimizar a sua culpa”, afirma.

Os diretores da Sanepar asseguram que a ALL não cumpriu com sua responsabilidade, como determina a lei de acidentes ambientais. “Nos omitiram informações e mascararam o volume de óleo que caiu no rio. O gerente de Meio Ambiente da ALL disse para nossos técnicos, e para a imprensa, que apenas 10 mil litros de óleo vegetal haviam sido derramados no Rio Negro. No entanto, o órgão ambiental responsável pela investigação do acidente apurou que foram 65 mil litros de óleo diesel e mais 120 mil litros de óleo vegetal”, afirma Maria Arlete. A ALL nega que o óleo diesel tenha caído no Rio Negro. A informação é contestada pelo diretor da Sanepar. “Amostras coletadas no rio, 20 quilômetros abaixo do local do acidente, confirmam que havia óleo diesel”.

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