Representantes de diversas instituições federais, estaduais e municipais, entre elas a Sanepar, reuniram-se nesta terça-feira (29), em Foz do Iguaçu, para debater e detalhar um projeto inédito, que busca minimizar os impactos ambientais gerados pela suinocultura. Pela proposta, os dejetos de suínos lançados na área da bacia do Rio Toledo serão canalizados e tratados. Este trabalho é parte do Projeto de Controle da Contaminação Ambiental decorrente da Suinocultura no Estado, que compõe o Programa Nacional do Meio Ambiente (PNMA), mantido pelo Ministério do Meio Ambiente.
O rio é manancial de abastecimento de Toledo. Para assegurar sua preservação, o projeto conta com recursos do Programa de Seqüestro de Carbono, desenvolvido pelo Banco Mundial. Segundo o diretor de Articulação Institucional do Ministério, Volney Zanardi, esta é uma experiência promissora na área da suinocultura. ?O projeto será priorizado, uma vez que este trabalho integrado busca o equilíbrio da agricultura familiar e a manutenção dos pequenos produtores?, afirmou.
Além de disponibilizar técnicos para os levantamentos e análises já efetuados, a Sanepar vai ficar responsável pelo fornecimento da tubulação e pelo assessoramento técnico na implantação das redes coletoras dos dejetos nas propriedades rurais. De acordo com a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da empresa, Maria Arlete Rosa, a companhia participa prevendo a preservação e a melhoria da qualidade da água captada para o abastecimento público. ?O fator inovador neste projeto é que é o primeiro que utiliza recursos do seqüestro de carbono na área de saneamento. Além disso, visa à diminuição dos impactos ambientais, especialmente nas áreas de mananciais?, destacou a diretora.
A ação de preservação teve início há quatro anos. O avanço da suinocultura e a expansão de produções agrícolas na região fizeram com que houvesse aumento de passivos ambientais na bacia do Rio Toledo. Um levantamento de dados sobre todas as propriedades ribeirinhas, assim como a estimativa da produção de efluentes, serviu para definir o tratamento mais adequado.
Também participam do projeto a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Itaipu Binacional, Fundação Universidade do Paraná, Instituto Ambiental do Paraná, Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Prefeitura de Toledo, Unioeste, Associação dos Produtores de Suínos e Sindicato dos Fornecedores de Carne de Toledo.
Entenda o processo
Após a coleta, os dejetos vão passar por um tratamento biológico. O processo funciona como um biodigestor, queimando o gás metano resultante da fermentação do material recolhido. A liberação desse gás na atmosfera pode contribuir com o aumento do buraco na camada de ozônio. Um dos elementos do gás metano é o carbono e, para cada metro cúbico do gás queimado, 21 m³ de carbono deixam de ir para a atmosfera.
O Projeto de Controle da Contaminação Ambiental decorrente da Suinocultura pode ser rentável. O Programa de Seqüestro de Carbono do Banco Mundial, financiado pelos países que integram o protocolo de Kyoto, prevê o pagamento de 4 dólares para cada metro cúbico de carbono que seja eliminado da atmosfera. A estimativa é que o processo possibilite que sejam repassados mais de R$ 580 mil por ano aos produtores ou para uma associação de produtores. Esses recursos devem ser aplicados na manutenção do sistema.


