Bancos nacionais públicos ou privados, o pensamento é do governo federal, serão estimulados a adotar mecanismos especiais para a concessão de crédito a produtores rurais cujas explorações agrícolas ou pecuárias estiverem localizadas na Amazônia. O motivo elementar da sugestão que o governo vai encaminhar aos bancos, não é outro senão a rigorosa obediência à legalidade ambiental da região.

Há algumas semanas, o País acompanhou o debate sobre o desmatamento clandestino da Amazônia visando a ampliação do cultivo de soja e pastagens para o gado bovino, cuja extensão cresceu numa proporção alarmante nos últimos meses do ano passado.

Foi também constrangedor para o governo, discutir em público a veracidade dos números exibidos por instituições de altíssimo nível científico como o Instituto Nacional de Pesquisas Científicas (Inpe), cujos estudos foram questionados até pelo presidente da República.

Ora, se o governo concluiu mesmo tardiamente, que mecanismos devem ser adotados para coibir a ação predatória na região amazônica, mediante a proibição do recebimento de incentivos financeiros, é porque a situação constatada pelos órgãos de pesquisa já havia ultrapassado todos os limites do tolerável.

Sobre a decisão oportuna do governo federal, a ser oficializada pelo Conselho Monetário Nacional por sugestão do ministro Guido Mantega, grande parte dos méritos e congratulações devem ser atribuídos à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, incansável na luta pela preservação do que resta do patrimônio natural brasileiro.