Concertação, o termo da moda entre políticos brasileiros da situação e oposição nos planos federal e estaduais, como sabem nossos leitores, inspirado na experiência político-institucional recente que alinhou correntes ideológicas antagônicas no Chile, dando curso, depois de muitos anos de perdas devastadoras para a democracia, a um governo baseado na concórdia possível, foi a saída inteligente encontrada pelo vice-governador Orlando Pessuti para botar água fria na chaleira fervente atiçada pelo governador reeleito.

De personalidade afável e trato camarada com todos os interlocutores, Pessuti chamou a si a enorme responsabilidade cabível a um mandatário, em seu caso, a de substituto imediato do governador, de arrefecer quaisquer desdobramentos indesejáveis porventura derivados do destampatório da última segunda-feira.

Têm sorte os paranaenses ao deparar no vice-governador um homem aberto ao diálogo, que mesmo distanciado do titular do cargo por acentuado jaez ideológico, reúne as condições morais e éticas para retomar o entendimento interrompido no nascedouro, pela visão de um homem público resoluto e intimorato, mas, na maioria das vezes, vítima de autoritarismo completamente superado.

O vice chegou a identificar no agronegócio e nos meios de comunicação as principais fontes das reclamações pouco razoáveis do governador, aliás, devidamente enquadradas por instituições representativas de proprietários e empregados da comunicação. É possível imaginar que a outra banda invectivada de caucionar o desagrado do chefe do Executivo esteja também ensaiando uma resposta, embora, a essa altura dos acontecimentos, a melhor tática seja o silêncio.

A ninguém interessa, enfatizamos, continuar insuflando uma discussão esvaziada de sentido e que levará o estado a um retrocesso institucional sem precedentes, havendo, portanto, tempo e oportunidade para a intervenção do vice-governador, que esperamos seja bem aceita pelos emblemáticos combatentes refugiados nos moinhos de vento lobrigados por Requião.

Não se sabe, também, qual será o momento propício para a reentrada em cena do próprio governador, seduzido por penosa e irrefletida catilinária que o deixou à margem da incompatibilidade com a cidadania. Que o bombeiro Pessuti tenha êxito em sua difícil missão.