A chegada do Movimento dos Sem-Terra (MST) a Roraima, onde seus militantes ocuparam uma fazenda de 70 mil hectares no domingo, vai agravar as tensões causadas por conflitos rurais no Estado. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura de Roraima, Sílvio Carvalho, a população local já vive um clima de inquietação, causado pela homologação, em abril do ano passado, da reserva indígena Raposa Serra do Sol – uma vastidão de 1,7 milhão de hectares

Na ocasião, o governo prometeu terras para os plantadores de arroz que vivem na reserva, mas até hoje não definiu para onde eles serão transferidos. O desembarque do MST no Estado foi preventivo: visa evitar que se dê aos fazendeiros áreas que podem ser destinadas à reforma agrária. "A homologação já tinha causado descontentamento e esses fatos só aumentam as preocupações", disse Carvalho

A ocupação da antiga Fazenda Bamerindus, a 30 quilômetros de Boa Vista, provocou reações em outras entidades ruralistas. Na opinião do presidente da Sociedade Rural Brasileira, João Sampaio Filho, a ousadia do MST só confirma que seus líderes não temem punições

"O governo mostra total leniência com esses grupos, que estão aumentando a quantidade de invasões", disse. "Agem movidos pela certeza de que não serão punidos.

Sampaio Filho lembrou o episódio da libertação de Bruno Maranhão líder do MLST, a organização que no mês passado promoveu a invasão do Congresso: "O que podemos esperar depois da revelação de que o líder do quebra-quebra foi solto com a interferência do ouvidor agrário, em nome do governo?

O sentimento de impunidade que estaria por trás das ações do MST também foi mencionado pelo presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia. "Ora, se o presidente da República é amigo do homem que organizou a invasão do Congresso, acho que não podemos esperar mais nada. Tenho a impressão de que o governo e o MST estão mancomunados no ataque ao agronegócio.